Eu nunca imaginei que um dia alguém ouviria minha voz com atenção.
Durante quase toda minha vida, aprendi exatamente o contrário.
Aprendi a abaixar os olhos. A falar baixo. A pedir desculpas até quando eu não tinha culpa. A aceitar ordens sem questionar.
Na senzala, mulher negra que falava demais era vista como problema. E problema, naquele tempo, quase sempre acabava em castigo.
Por isso, às vezes, quando eu me via em pé diante de tantas mulheres me ouvindo durante as reuniões, ainda parecia