"José Miguel"
Eu cheguei ao cemitério de mãos dadas com a Eva. Parecia ter se passado muito tempo desde a última vez em que estive ali, muita coisa havia mudado. Além do mais, na minha última visita a este túmulo, eu ainda estava me afogando em dor e culpa. Agora eu estava ali pela última vez, apoiado pela mulher que iluminou os meus dias, depois de ter descoberto todas as armadilhas que a Cora me preparou. Ou quase todas.
- Nossa, isso aqui é tão triste! - A Eva exalou uma respiração pesada. - Quer dizer, eu sei que é um cemitério, mas deveria ser um lugar de paz e não um culto a dor. Esses anjos estão chorando. - Ela olhou para a escultura com uma expressão de choque.
- Foi escolha da Carmem. Mas eu sempre achei que foi uma escolha para me lembrar da minha dor, propositalmente perturbador. - Eu expliquei.
- Cada vez mais eu detesto a cobra de aplique! Aliás, qual é a do aplique? - A Eva perguntou com genuína curiosidade e me fez rir.
- Eu não faço idéia. - Eu respondi dando de omb