Miguel
O som irritante do despertador me desperta da confusão dos meus sonhos. O visor do celular me diz que já são oito horas. Droga, já estou atrasado. Preciso me levantar, encontrar algo para comer e correr para a academia. Não posso perder mais um dia de treino.
Saio da cama e vou direto para o banheiro. A água quente do chuveiro ajuda a afastar o resto da preguiça. Estou terminando de me enxugar quando ouço a campainha tocar. Quem diabos vem até aqui tão cedo?
— Já vai! — grito, enrolando a toalha na cintura.
Enquanto caminho até a porta, imagino que seja o Rafael. Ele deve estar impaciente, como sempre, querendo me arrastar para a academia. Abro a porta sem muita cerimônia, mas o que vejo me deixa estático.
Clara está parada ali, com um sorriso radiante no rosto, segurando uma cesta nas mãos.
— Você? O que está fazendo aqui? Perdida de novo? — Digo, surpreso.
— Bom dia, Miguel! — ela responde, com a voz doce e uma tranquilidade que parece zombar da minha confusão.
Fico encarando