Meu corpo inteiro perdeu as forças. Eu nem conseguia ficar de pé.
Um gosto de sangue se espalhou pela minha boca, e minha voz saiu rouca:
— Eles humilharam minha mãe desse jeito. Você ficou cego e não viu?
Gustavo só estava preocupado em examinar Tales, procurando algum machucado no menino.
— Criança não entende essas coisas. Por que você não podia conversar direito? Além disso, Paula tentou impedir.
......
A polícia chegou muito rápido.
Quando percebi que estavam prestes a me colocar na viatura, comecei a me debater.
— Eu nem cheguei a acertar os dois!
Paula apontou para um hematoma minúsculo no joelho de Tales e falou entre lágrimas:
— Você machucou meu filho desse jeito! Ele ainda é tão pequeno. Isso vai deixar um trauma psicológico nele!
Os dois funcionários também testemunharam ao lado deles.
Fui levada para a carceragem da delegacia e teria que ficar detida por cinco dias inteiros.
Ao ouvir aquele prazo, fiquei desesperada.
— Gustavo, a gente pode resolver isso em particular? Você sabe que o coração de Liora não está bem. Se ela ficar cinco dias sem me ver, vai ficar assustada. E se tiver uma crise?
Gustavo pareceu vacilar.
Ao perceber isso, Paula agarrou o braço dele.
— Gustavo, se você fizer acordo agora, vai dar um mau exemplo para Tales. Ele ainda é tão pequeno. E se aprender que fazer coisa errada não traz punição? E se crescer sem limites?
Ao ouvir aquilo, Gustavo franziu a testa na hora.
— Júlia, você errou primeiro. Isso também serve como alerta para as duas crianças. Eu vou cuidar de Liora nesses dias. Você fica na delegacia e reflete direito.
— Gustavo!
Levantei de supetão e tentei segurar Gustavo, mas os policiais me forçaram a ir trocar de roupa.
Eu não ousava imaginar o que Liora passaria nas mãos de Paula e Tales durante cinco dias inteiros.
A ansiedade tirava meu ar.
Eu só conseguia andar de um lado para o outro dentro da cela estreita.
Quando a noite chegou, meus nervos, tensionados o dia inteiro, finalmente não aguentaram mais.
Caí exausta sobre a cama dura.
Só então senti, com atraso, a dor dos ferimentos daquele dia.
Fechei os olhos, tentando dormir para fazer o tempo passar mais rápido.
Mas, em menos de cinco minutos, fui acordada à força.
O homem da cela ao lado estava encostado nas grades e assobiou para mim.
— Vi que você está muito machucada. Chamei porque fiquei com medo de você morrer aí.
Virei de costas e não dei atenção.
Cinco minutos depois, ele voltou a me acordar.
Durante a noite inteira, não consegui descansar de verdade nem uma vez.
Depois de finalmente aguentar até o dia seguinte, fiquei encostada na parede, abatida.
Eu queria avisar os policiais que precisava ir ao banheiro.
O homem da cela em frente parecia saber exatamente o que eu queria fazer.
Todas as vezes, antes mesmo que eu pudesse abrir a boca, ele já chamava os policiais.
Segurei a vontade até sentir uma dor insuportável na barriga.
O suor frio escorria sem parar, e eu quase desmaiei.
Foi então que ele riu, cheio de prazer maldoso.
— Quem mandou mexer com gente que você não devia?
Ao ouvir aquilo, entendi que aquele homem tinha sido colocado ali por Gustavo para me dar uma lição.
Eu já não tinha força nem para odiar.
Só esperava que o tempo passasse mais depressa.
......
No quinto dia, eu já estava tão torturada que tinha emagrecido a ponto de quase não parecer eu mesma.
Gustavo me esperava cedo na porta da carceragem.
Ao ver meu estado, uma ponta de dor passou muito rápido pelos olhos dele.
Ele avançou dois passos e estendeu os braços para me puxar contra o peito.
— Você entendeu onde errou? As cinzas da sua mãe não foram todas sujas. Eu mandei juntar o que restou, troquei por uma urna nova e enterrei em outro lugar. Quando você estiver recuperada, levo você para visitar.
Não dei atenção ao que ele dizia. Apenas escapei dos braços dele.
Então peguei os documentos dentro da bolsa e joguei tudo diante de Gustavo.
— O valor que você pagou antes pelo aluguel do túmulo da minha mãe não foi suficiente. Assina.