Capítulo 5
Ao ver no documento as palavras [Contrato de transferência do imóvel], o semblante de Gustavo ficou frio de repente.

— Júlia, parabéns! E eu, feito um idiota, ainda achei que você tinha sofrido muito nos últimos dias. Reservei um tempo especialmente para vir buscar você e até pensei em levar você para espairecer. Mas você realmente não sabe reconhecer quando alguém quer o seu bem!

Ele tirou uma caneta com agilidade e assinou o próprio nome.

Em seguida, arremessou a caneta e os documentos no chão, entrou no carro e foi embora sem olhar para trás.

Fiquei parada no mesmo lugar, olhando para a caneta partida ao meio.

Aquele tinha sido o presente que dei a ele no nosso terceiro aniversário de namoro.

O primeiro documento que Gustavo assinou com aquela caneta foi a nossa certidão de casamento.

Peguei os documentos do chão e retirei o acordo de divórcio que estava preso atrás do contrato de transferência.

Ao ver a assinatura dele ali, chorei e ri ao mesmo tempo.

Depois que a cirurgia da minha filha terminasse, tudo entre nós dois acabaria de vez.

— Mamãe!

Ao ouvir aquele chamado, virei a cabeça com espanto.

Minha filha desceu sozinha de um táxi e correu para os meus braços.

— Liora! Por que você veio sozinha de táxi para me procurar? Isso é perigoso demais!

Ela enterrou a cabeça no meu peito, com a voz embargada pelo choro.

— Mamãe, eu senti muita saudade de você. Então fugi escondida.

Ao ver ela daquele jeito, senti como se uma faca rasgasse meu coração.

— Nesses dias em que ficou com seu pai, alguém maltratou você?

Segurei o rosto da minha filha com as duas mãos.

Ela balançou a cabeça, mas continuava sem coragem de olhar para mim.

Meu coração afundou.

Na mesma hora, quis examinar o corpo dela.

Minha filha segurou as mangas com força e não deixou que eu visse.

— Mamãe, eu estou bem. É só que Tales brincou comigo, e eu perdi todas as vezes, então...

— Obedece. Deixa eu ver.

Ao perceber minha insistência, ela finalmente soltou as mangas.

Levantei com cuidado o tecido que cobria os braços dela.

No instante em que vi as marcas vermelhas espalhadas por toda a pele, meu coração pareceu parar por um segundo.

Minha filha ficou toda atrapalhada tentando enxugar minhas lágrimas.

— Mamãe, não dói. Não chora...

A raiva era tanta que meus dentes chegaram a ranger.

— Seu pai sabe que Tales beliscou você desse jeito?

Minha filha abaixou os cantos da boca.

— Sabe. No começo, ele queria interferir. Mas Paula disse que a gente estava brincando, que eu tinha perdido e precisava aceitar a punição. Senão, quando eu crescesse, não saberia perder...

Ao imaginar aquela cena, senti uma dor tão grande que quase não consegui respirar.

— Não tenha medo. Eu não vou mais deixar você sozinha. Nunca mais vou permitir que algo assim aconteça.

......

Depois de uma espera interminável, finalmente chegou o dia da cirurgia.

Vi minha filha ser levada para o centro cirúrgico.

Soltei um suspiro pesado e caí de joelhos diante da porta, rezando sem parar.

Pedi aos céus que tivessem piedade e protegessem minha filha, para que a cirurgia corresse bem.

Mas, antes mesmo de a cirurgia terminar, meu celular recebeu outra mensagem de transferência.

Eu ainda nem tinha conseguido ler a observação quando a porta da sala de cirurgia se abriu de repente.

Os médicos saíram às pressas, sem nem ter tempo de tirar as luvas manchadas de sangue.

Minhas mãos e meus pés ficaram dormentes.

Agarrei o último médico pela roupa, com força.

— A cirurgia da minha filha ainda não terminou. Para onde vocês vão?

Olhei para dentro da sala.

O peito da minha filha já estava aberto, e o monitor cardíaco mostrava apenas oscilações fracas.

O médico me empurrou para longe, apressado.

— O filho do Sr. Gustavo teve uma crise alérgica repentina. Todo o corpo médico do hospital foi chamado para o atendimento de emergência. A cirurgia só pode ser interrompida por enquanto.

— Vocês não podem ir!

Minha voz saiu como se carregasse sangue e lágrimas.

Tremendo, tirei o cartão bancário.

— Quanto ele pagou a vocês? Eu pago o dobro! Terminem a cirurgia da minha filha!

Com medo de acharem pouco, peguei o celular, pronta para fazer uma transferência.

Foi só então que consegui ler a observação daquela mensagem de depósito.

Era o valor que Gustavo tinha pago para “alugar” os médicos.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App