Capítulo 3
Fui cambaleando até o túmulo da minha mãe.

Quando cheguei, Gustavo estava dando ordens aos funcionários para abrirem a sepultura.

— Parem!

Avancei de repente, empurrei os dois homens com força e arranquei uma enxada das mãos de um deles.

Então me coloquei diante do túmulo da minha mãe, protegendo aquele lugar com o próprio corpo.

Gustavo puxou Paula e Tales para trás e soltou uma risada de deboche.

— Júlia, você não dizia que, pagando, qualquer coisa sua podia ser alugada? Eu já transferi o aluguel do túmulo da sua mãe. Que cena é essa agora?

A raiva era tanta que até meus dentes tremiam. Eu quase não conseguia continuar de pé.

— Gustavo, você ainda é humano?

Gustavo deu de ombros, indiferente.

— Eu só segui as suas regras. Não é você que vive dizendo que qualquer sentimento é nobre, menos o nosso casamento? Para você, ele vale menos que lama e pode ser trocado por dinheiro.

Cravei as unhas na palma da mão, tomada por um ódio tão grande que quase não sentia dor.

Eu não conseguia entender.

O homem que, no passado, tinha ajoelhado diante do leito da minha mãe e jurado que jamais falharia comigo pelo resto da vida tinha virado aquilo?

Paula segurava nos braços a foto póstuma de um cachorro.

Com os olhos cheios de lágrimas, falou:

— Deixa para lá, Gustavo. Embora Bento fosse como alguém da família para mim e para Tales, no fim das contas, ele era um cachorro. Ocupar o túmulo da mãe da Júlia realmente não seria adequado.

Ao ver as lágrimas dela, Gustavo falou com uma frieza cortante:

— Júlia, sai da frente.

Cerrei os dentes.

— Nem sonhando.

Ele caminhou até meu lado, inclinou o corpo e falou baixo junto ao meu ouvido:

— Liora vai fazer a cirurgia no mês que vem. Durante esse período, é melhor você se comportar.

Meu corpo ficou gelado.

Eu simplesmente não conseguia acreditar no que tinha acabado de ouvir.

— Liora não é sua filha? Você está usando a vida da sua própria filha para me ameaçar?

Gustavo estendeu a mão e colocou com delicadeza atrás da minha orelha uma mecha de cabelo que tinha caído sobre meu rosto.

Mas as palavras que saíram da boca dele eram frias como gelo.

— É. Mas Tales também é meu filho biológico. Na noite anterior ao nosso casamento, Paula foi me procurar para relembrar o passado. Nós dois bebemos demais e acabamos cometendo um erro. Você e Liora têm dinheiro e têm um lugar legítimo nessa família. Por isso, deveriam ter mais bom senso.

Um suor frio encharcou meu corpo inteiro, e um zumbido tomou meus ouvidos.

Na minha cabeça, a imagem da minha filha caindo de repente por causa do infarto voltava sem parar.

Aos poucos, baixei a enxada.

Minhas pernas pareciam cheias de chumbo. Dei passos rígidos e abri caminho.

Ao ver aquilo, Tales abriu um sorriso maldoso e correu para a frente.

— Oba! Agora tem lugar para o Bento!

Ele arrancou a foto da lápide da minha mãe com um puxão violento, agarrou a urna com as cinzas e já ia jogar tudo no chão.

— Não!

Minha mente ficou em branco. Avancei sem pensar.

Ao tentar proteger a urna, acabei batendo a cabeça com força na lápide.

No meio da tontura, minha visão ficou coberta de vermelho.

Mesmo assim, a urna da minha mãe se quebrou nos meus braços, e as cinzas se espalharam pelo chão.

Quando Tales viu aquilo, ficou ainda mais animado.

Levantou o pé e começou a pisotear as cinzas, uma vez depois da outra, com força.

Paula fingiu avançar para impedir.

— Tales! Por que você é tão desobediente? Pisando nessas coisas sujas, depois você vai sujar a roupa e os sapatos, e Gustavo vai ter que lavar tudo para você!

Ela puxou Tales para longe e, aproveitando o movimento, derramou todo o café que segurava sobre as cinzas da minha mãe.

— Ah!

Paula olhou para a própria obra, com a voz cheia de falso arrependimento.

— Júlia, eu não quis estragar tudo. E agora, o que a gente faz?

Ela ficou escondida atrás de Gustavo, com o rosto tomado por prazer maldoso.

Gustavo veio às pressas para me levantar.

Com as mãos tremendo, tentou limpar o sangue na minha testa.

— Está doendo? Sua cabeça está tonta?

Ao olhar para tudo aquilo diante de mim, quase perdi toda a razão.

Empurrei Gustavo para longe e ergui a bolsa com força, pronta para atingir a cabeça daquela mulher desprezível e do filho dela.

— Eu vou matar vocês!

Mas, antes que eu conseguisse chegar perto, Gustavo me chutou para longe.

Caí sentada no chão sem conseguir me proteger, tomada por uma dor tão intensa que parecia que meu corpo inteiro ia se desmontar.

Com uma expressão terrível e tomado pela fúria, Gustavo ficou diante de Paula.

— Eu acho que você enlouqueceu de verdade! Como tem coragem de levantar a mão contra uma mulher e uma criança? Pelo visto, você precisa passar dois dias na delegacia para esfriar a cabeça!

Depois de dizer isso, ele pegou o celular imediatamente e chamou a polícia.

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