Um item riscado da lista

Eu nunca tinha ido à uma casa noturna. E jamais imaginei que pisaria em uma.

O lugar era tomado por luzes coloridas e piscantes, que me deixavam tonta, e com tantas pessoas que tive medo de me perder de Natália e nunca mais encontrá-la.

Conforme eu caminhava pela multidão, que dançava como se o mundo fosse acabar, meu vestido subia e me deixava quase nua. A maquiagem no meu rosto poderia facilmente fazer alguém me confundir com a Arlequina, de tão colorida que era. Mas, segundo Natália, era assim mesmo que tudo aquilo funcionava.

— Vamos dançar — ela decidiu, puxando-me para a pista de dança.

Eu não sabia dançar. Nunca tinha feito aquilo na vida e... não pretendia tentar pela primeira vez no meio de tanta gente desconhecida.

Fiquei imóvel enquanto Natália dançava. Todos ao redor faziam o mesmo, sem parecerem envergonhados, como se aquilo fosse... natural.

Natália me olhou e gritou para que eu a ouvisse em meio àquela música absurdamente alta:

— Você precisa se soltar.

Meneei a cabeça de forma negativa. Eu já estava completamente arrependida de ter ido àquele lugar, que, definitivamente, não era para mim.

Eu era só uma mãe... olhando para o relógio o tempo todo e me perguntando se meus filhos estavam bem.

Nunca estive num lugar com tantas pessoas juntas. Nunca estive em um ambiente onde todos se tocavam, mesmo sem querer, porque era impossível dar um passo sem esbarrar no corpo de alguém. Nunca estive num lugar... onde as pessoas simplesmente pareciam se divertir com uma música, dentro de um espaço quase sufocante.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Natália avisou:

— Não saia daqui. Eu já volto.

— Não... por favor, não me deixe sozinha — gritei enquanto ela desaparecia no meio da multidão.

Tentei ir atrás de Natália, mas não encontrei uma única brecha entre as pessoas para que pudesse me mover dali.

Fiquei parada, desnorteada, sem saber o que fazer e me perguntando, mais uma vez, como havia ido parar naquele lugar, me deixando ser levada pelas maluquices de minha amiga.

Uns quinze minutos depois, após um quase sufocamento e uma possível síndrome de pânico, Natália reapareceu e me entregou uma bebida colorida, bonita demais para ser degustada.

— Bebe — ela ordenou. — Você vai se sentir melhor depois disso.

Não, eu não beberia. Aquilo ia contra todos os meus princípios e colidia com tudo o que eu havia vivido no passado.

Antes que eu contestasse, Natália me puxou e falou ao meu ouvido:

— Você não se transformará numa bêbada se tomar um drinque, Jack. Você não se tornará o seu pai. Dê uma chance a si mesma. Eu estou aqui para cuidar de você... e sempre estarei... até o fim.

Mordi o lábio e tentei conter as lágrimas. Seria ainda mais humilhante se eu chorasse ali.

Talvez Natália tivesse razão. Tomar um gole de bebida não me transformaria no ser monstruoso que era meu pai. E, caso não provasse, morreria sem saber o gosto de um drinque colorido e bonito.

No primeiro gole, senti uma queimação na boca, e o líquido desceu quase incendiando minha garganta. Quando terminei o copo, tudo o que sentia era uma leveza... como se a vida tivesse se tornado menos complicada.

Ouvi uma música que conhecia desde a adolescência e tentei cantar, sabendo que, por mais desafinada que fosse, ninguém conseguiria me ouvir. Aliás, metade daquelas pessoas era completamente desafinada. A outra metade cantava a letra errada.

De repente, um homem apareceu e puxou Natália. Falou algumas palavras ao ouvido dela e, em segundos, os dois estavam se... beijando?

Como assim? Ele aparecia do nada e beijava minha amiga sem nem pedir licença? Ou pediu?

Enquanto eu decidia se chamava a polícia ou arrancava minha amiga das mãos daquele tarado, senti alguém envolver minha cintura.

Congelei. Meu coração, porém, acelerou de tal forma que temi que todas as pessoas naquele lugar conseguissem ouvi-lo.

— Depois de tanto procurar, encontrei enfim a mulher mais linda da festa — a voz masculina soou em meu ouvido, e o hálito morno fez meu corpo inteiro se arrepiar.

Virei-me imediatamente e deparei-me com ele... o homem mais descarado que já conheci na vida. E lindo.

Era alto, de cabelos escuros e bem penteados, que contrastavam com a pele clara. Seus olhos eram tão negros que pareciam falsos. Como se fosse mágica, as luzes coloridas do lugar se refletiam nas íris dele.

Ele não tirou as mãos de mim. Apenas mudou a posição delas. Antes, segurava-me por trás, com as mãos sobre minha barriga. Agora, elas repousavam em minha cintura. E, por um motivo que eu jamais entenderia, não consegui mandá-lo se afastar.

Antes que eu pudesse reagir, ele aproximou o corpo do meu sem pedir permissão. A mão permaneceu firme em minha cintura e começou a se mover conforme o ritmo da música. O mais estranho era que meu corpo simplesmente acompanhou o dele, sem contestar.

— Se eu não tivesse visto você, teria ido embora desse lugar frustrado. Ou seja, você é o meu destino, senhora dançarina.

Eu ri. Dançarina? Eu? O que havia de tão especial em mim para alguém desistir de ir embora de um lugar apenas por me ver?

Abri a boca para dizer alguma coisa, embora não fizesse ideia do que seria. Porém, sem entender como, ele aproximou o rosto do meu e selou nossos lábios em um beijo.

Fiquei desnorteada, sem saber o que fazer, até sentir a língua dele forçar meus lábios a se abrirem e, quando percebi... aquele estranho estava dentro da minha boca de um jeito que nenhum outro homem estivera antes.

Era meu primeiro beijo de verdade. O beijo de língua que eu tanto via, mas nunca havia experimentado.

Tentei não pensar em Oliver. Mas perceber que os beijos dele nunca tinham sido como aquele que eu recebia de um estranho fez meu coração doer ainda mais.

Aos poucos, minha língua respondeu à dele de forma quase automática. Fiquei com medo de que ele percebesse que eu jamais havia beijado daquela maneira e me esforcei para esconder minha inexperiência.

Quando percebi, meu corpo respondia aos toques dele como nunca antes. Os beijos se tornaram cada vez mais íntimos e carregados de desejo e, ao sentir sua ereção contra mim, fiquei completamente atordoada.

Já não via Natália nem o tarado que havia roubado seu beijo. Por um momento, pareceu que nada mais existia naquele lugar além de mim... e daquela sensação de tontura e bem-estar que se apoderava do meu corpo.

Quando percebi, estava imprensada contra uma parede em um dos pontos mais escuros do lugar. Olhei para o lado e vi um casal praticamente transando ao meu lado, o que me deixou incrédula.

Mas não tive tempo de observar por muito tempo. Os lábios do desconhecido encontraram novamente os meus. E eu correspondi, mesmo não querendo, mesmo sabendo que era errado e que, menos de uma hora depois, certamente me arrependeria.

O beijo se tornou cada vez mais exigente, e o corpo dele roçava com força contra o meu. O que eu não esperava era que erguesse meu vestido discretamente e seus dedos alcançassem minha boceta.

Estremeci, ainda presa àquele beijo absurdamente envolvente. Enquanto seus dedos me massageavam diretamente no ponto de prazer, despertando uma sensação completamente nova, gemi contra seus lábios, levada por um tipo de prazer simplesmente inexplicável.

Os dedos dele deslizavam com facilidade, porque eu estava completamente encharcada. Quando introduziu dois dedos dentro da minha boceta e manteve o polegar massageando meu clitóris, meu corpo se enrijeceu. Senti como se um raio me atravessasse antes que meu corpo inteiro estremecesse... e colapsasse em um prazer que eu jamais soube que existia.

O estranho praticamente precisou me manter de pé, porque meu corpo já não respondia aos meus comandos. Ele só respondia aos dedos dele.

O homem se afastou um pouco, apenas o suficiente para me olhar e dizer, com a voz carregada de desejo e um sorriso safado que me fez querer arrancar a própria roupa e transar com ele ali mesmo:

— Caralho, você é bem rápida!

— S... sou? — minha voz mal saiu. Minha intenção foi parar aquilo tudo... no entanto eu estava visivelmente flertando com o desconhecido.

— Estou me perguntando quantos orgasmos você terá essa noite — falou, aproximando novamente o rosto do meu. — Se depender de mim, você terá hoje o melhor sexo da sua vida.

Abri os lábios para dizer não, para tentar impedi-lo de continuar com aquilo... aquilo de me fazer enxergar estrelas. Mas, quando percebi, estava com a língua dentro da boca dele, implorando para que voltasse a me tocar daquela maneira.

Naquele momento, não havia Oliver, não havia Brianna, não havia diagnóstico algum capaz de me fazer lembrar que eu era simplesmente Jaqueline: mãe, esposa e corna.

Eu era, pela primeira vez, Jack... a mulher que delirava de prazer nos braços de um estranho.

Eu já podia riscar o item 3 da minha lista. Acabara de receber meu primeiro beijo de verdade. E havia concluído parcialmente o item 5. Parcialmente porque sentira um orgasmo, porém ainda não havia transado.

Perguntei-me como aquele estranho conseguira em alguns minutos realizar tantos itens da minha lista quase ridícula.

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