02

ZOE MONDEGO

Estacionei o carro em frente à pequena e encantadora casa da minha melhor amiga — Louise Davis — e, antes mesmo de desligar o motor, já a vi plantada na porta principal, braços cruzados e um sorriso claramente zombador estampado no rosto. Aquele tipo de sorriso que dizia eu avisei sem que uma única palavra precisasse ser dita. Ignorei completamente qualquer impulso de reclamar, apanhei a bolsa no banco do passageiro, fechei a porta do carro lentamente de propósito e atravessei o caminho curto até a sua porta adornada de vários vasos de plantas e flores ao lado, como uma espécie de sátira à sua profissão.

Entrei na casa sem cerimônia e deixei-me cair no pequeno sofá cor-de-rosa, como se o meu corpo tivesse finalmente desistido de fingir força, e Louise fechou a porta atrás de mim com calma como alguém que se preparava para assistir a um espetáculo gratuito.

Quer dizer, pode ser exatamente isso.

Eu sentia como se tudo estivesse prestes a desmoronar à minha frente e, pior ainda, como se eu fosse completamente incapaz de impedir. A promoção, o maldito casamento de Kristen, a mentira lançada sem pensar… tudo se misturou numa avalanche mental que ameaça soterrar cada coisa que construí desde o dia em que fugi de Pittsburgh. Se eu não encontrasse uma solução rápida, tudo ruiria: minha carreira, minha reputação, minha independência, absolutamente tudo!

E isso simplesmente não é uma opção.

De maneira alguma!

Não percebi o momento em que Louise saiu da cozinha e aproximou-se do sofá, colocando uma chávena de chá fumegante nas minhas mãos. Em seguida, sentou-se ao meu lado, apoiando um copo de café e o computador portátil no colo, perfeitamente confortável, como se eu não estivesse a um passo de um colapso nervoso completo.

— Nunca imaginei que a correta senhorita Mondego fosse tomar uma decisão tão… — ela fez uma pausa exagerada, levando um dedo ao queixo — … catastrófica. Sim, definitivamente catastrófica — concluiu, rindo com gosto.

Virei-me para ela com um olhar assassino.

— Poupa-me, Louise. Piadas e julgamentos já bastam os da minha própria consciência — ralhei, sentindo o maxilar travar.

Ela fez um gesto displicente com a mão, pedindo calma, como se eu estivesse a exagerar — o que, obviamente, não estava, dada a situação. Sem dizer mais nada, começou a digitar alguma coisa no computador.

Ignorei deliberadamente, concentrando-me no chá, embora as minhas mãos ainda tremessem, mas alguns minutos depois, senti o peso do seu olhar teimoso sobre mim, me obrigando a erguer os olhos de soslaio e encontrar os seus grandes olhos azulados brilhando de um jeito que imediatamente despertou o meu instinto de sobrevivência.

Talvez eu não fosse a pessoa mais criativa do mundo, mas Louise definitivamente era pior. Quando tinha ideias, elas vinham sempre acompanhadas de um nível preocupante de entusiasmo e uma malícia que, honestamente, às vezes assustava-me.

— Tenho uma solução — anunciou, finalmente —, mas antes preciso saber o que você pretende fazer.

Ela bebeu o café com tranquilidade e voltou a pousar o copo na mesa de centro, aguardando como se tivesse todo o tempo do mundo.

Suspirei profundamente. Bebi mais um gole do chá e recostei-me no sofá, fechando os olhos por alguns segundos, na esperança inútil de que uma ideia genial simplesmente surgisse do nada.

— Eu não faço a menor ideia — admiti, sentindo o peso da derrota naquela frase, e joguei os meus braços no alto.

Louise arqueou uma sobrancelha, e eu não entendi muito bem o que a sua expressão queria transmitir.

— Você pode pedir auxílio a alguém — sugeriu. — Um amigo, talvez. Alguém de confiança e que o pessoal da empresa não conheça, eu até me oferecia, mas você sabe… — sorriu de lado — gosto mais de homens.

Ela jogou o cabelo para trás com teatralidade.

— Aliás, até faria sentido. Após sair com o coração partido, você já não confia nos homens e…

— Não! — interrompi, soltando uma gargalhada alta demais para o meu próprio estado emocional, e endireitei-me no sofá, balançando a cabeça.

— Não me apetece envolver ninguém que eu conheça. E, para piorar, ainda terei de apresentar alguém como o meu acompanhante no casamento da Kristen — suspirei novamente e fechei os olhos, exausta só de pensar.

Louise abriu um sorriso triunfante de repente.

— Então você só tem uma única saída — declarou. — E eu, Louise Davis, tenho uma ideia excelente.

Abri os olhos no exato momento em que ela virou o computador na minha direção, e a tela exibiu um site de design impecável, letras elegantes e imagens sugestivas demais para serem ignoradas.

— Eu não vou contratar um acompanhante de luxo, Louise! — protestei de imediato. — Essa é, sem dúvida, a pior ideia que você já teve.

Ela revirou os olhos, entediada.

— Tem alguma melhor, senhorita? — perguntou, e antes que eu pudesse responder, continuou: — Vamos ser realistas. Você não tem muitas opções. Na verdade, não tem nenhuma, o seu emprego está em jogo, realmente acha que eu estaria sugerindo isso se não estivesse convicta de que funcionaria?

Fechei os olhos por um instante, respirando fundo. Às vezes, eu me perguntava como Louise conseguia ser tão absurdamente determinada.

— Pelo amor de Deus, você conhece o meu pai e conhece o Hugo — retruquei. — Você tem mesmo certeza de que eles vão acreditar que um prostituto é meu noivo?

A loira voltou a revirar os olhos, agora com ainda mais força.

— Zoe, acompanhantes de luxo não são prostitutos — corrigiu com paciência, eu estava quase pensando que talvez ela fosse dona de uma rede de prostitutos de aluguel e queira arrancar dinheiro do meu bolso, ou isso, ou ela daria uma excelente Gestora comercial. — Pelo que entendi, eles são contratados exatamente para serem o enfeite da árvore de Natal.

Sorriu satisfeita com a própria analogia, e voltou a digitar.

— Mas, claro, se você tiver alguma ideia melhor, sou toda ouvidos. Caso contrário, posso sempre te arranjar uma vaga na floricultura.

Cerrei os lábios, derrotada.

— Tudo bem, tudo bem — cedi, erguendo as mãos. — Credo. Ao menos posso avaliá-lo antes de colocar o pé na cova, certo? Preciso de um homem capaz de se integrar à alta sociedade da minha família e, principalmente, sobreviver aos tubarões da mesa do congresso.

Pousei a chávena na mesa de centro e arranquei praticamente o computador do seu colo. Passei rapidamente pelas configurações do site e marquei o número de contacto no meu celular, ignorando completamente a seção de perguntas frequentes.

— Espero seriamente que eles sejam bons, Louise — avisei, lançando-lhe um olhar ameaçador. — Ou juro que bato em você.

Ela deu de ombros, exibindo aquele sorriso travesso de criança prestes a causar problemas.

— Coloca em alta-voz — pediu, animada. — Quero ouvir tudo.

Ignorou minha ameaça com perfeição.

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