MATHEUS
O relógio na recepção do hotel parecia zombar da minha agonia, cada tique-taque marcando a distância entre a esperança e a ruína. Eram precisamente doze horas quando o táxi estacionou. Vi Valentina desembarcar. O rosto dela, antes altivo e sereno, era agora um mapa de exaustão e pavor. Ela mal terminou o check-in; eu desci as escadas como um homem possuído, encontrando-a no meio do saguão. Não houve necessidade de palavras formais, de polidez social. Quando nossos olhares se cruzaram, o