Voltei para casa já na penumbra da noite com os pés pesados, o coração apertado, mas já sem mais choro. Só um súbito rancor que me queimava por dentro. Salvatore tentou conversar, mas eu ignorei ele todo tempo possível , eu fazia de conta que não o via, que não o ouvia, como se ele fosse invisível.
Quando deitamos, ele se aproximou na escuridão da cama. Eu senti a sua presença, o cheiro que já conhecia de memória, e a respiração quente no meu ouvido:
__ “O que você viu hoje foi um erro”, disse ele. “Um impulso. Eu te peço perdão, prometo que nunca mais vai acontecer. Nunca mais.”
Eu não respondi. Eu mesmo me virei para o lado oposto, fechei os olhos e fingi dormir — mas eu sabia que não conseguiria fechar os olhos tão cedo.
Na manhã seguinte, eu estava lá na mesa com Richard, Sofia e Alex. O café fumegava nas xícaras, o pão estava fresco, mas o ar era pesado de uma quietude que eu sabia que não duraria. Salvatore chegou depois, com a postura ereta de sempre, se sentando na cab