Capítulo 2

Carioca

Essa semana tá osso.

Tô negociando com o Turco uma nova remessa de armas, das melhores que existem hoje. Também tá chegando carregamento de droga, porque sábado é dia de baile e não dá pra vacilar. Vem muita gente de fora, de tudo que é canto. Playboy da pista, Patricinha que adora sentar pra bandido. A grama que entra em noite de baile, é lá no alto.

A Jéssica tá comendo meu juízo, dizendo que eu sumi, que não procuro mais ela. Sempre essa conversa de romancezinho. Já deixei claro que é um pente e rala.

Bom, o pente e rala com ela tá rolando há muito tempo, sempre se repete.

Só que ela vem porque quer. Sempre soube que sentimento não é comigo.

Na cama, Jéssica faz tudo do jeito que eu gosto. E eu gosto. Gosto muito. Ela sabe disso.

É só isso. Uma transa boa, depois ela volta pro apartamento na pista que eu dei e eu sigo aqui.

Pegando várias. Eu gosto de variedade. Nunca escondi isso.

Não sei por que ela insiste em se iludir achando que alguma coisa entre nós vai mudar.

Já devia ter mandado ela ralar faz tempo, mas...

Eu dou conta. Dela e de todas.

Tô fazendo a ronda pelo morro. Tá tudo uma uva, mas a semana foi pesada. Três já foram pra vala. Aqui não tem conversa quando o cara fica devendo. Quem vacila aprende rápido que eu não perdoo.

Ando de mau humor, não posso negar. Porque comandar é uma pica enorme e tem dias que pesa na mente.

Mesmo assim, piranha é o que não falta. Fuzil nas costas, código penal gabaritado e esculacho toda hora, é o que elas gostam.

Japah, meu irmão, também não fica atrás. É comedor nato. Só que ele é mais discreto. Tem várias também, mas não faz alarde. Eu não. Nunca fiz questão de esconder nada. Vida de bandido é essa aí mesmo, e elas sabem onde estão se metendo.

Hoje é sábado, dia de baile e tá tudo alinhado. Som, DJ, luzes, droga abastecida. Eu invisto pesado, mas o retorno tem que vir, tenho que faturar.

Vou pra minha casa descansar um pouco, porque a noite hoje vai ser longa.

Durmo e acordo um pouco depois das vinte horas. Levanto e pago um banho, visto uma camisa e bermuda preta da Lacoste, pego no closet um Nike zerinho ainda com etiqueta. Coloco meu relógio e meus cordões pesados, ouro puro. Passo meu perfume de lei e tô pronto.

Quando desço, Japah já tá me esperando, trajado no mesmo estilo.

— Chegou o rei delas! — ele zoa.

— Vambora! — respondi.

Partimos de moto. Ele na dele e eu na minha. Afinal, nos bailes sempre no final da noite, cada um vai pro seu lado com alguma mina, só nunca trazemos aqui pra casa. Isso é de lei, puta não se come em casa.

***

📍 CASA DE DANI E FERNANDA:

Fernanda

No quarto da Dani está uma muvuca. Andrey e Rebeca vieram e, assim, nós estamos nos arrumando todos juntos. Há roupas e maquiagens para todo lado.

— Gatas, vocês estão um arraso. É hoje que o LC fica doido, né, Rebequinha? E você, dona Fernanda, fica esperta, viu? Porque a Dani adora dar uns perdidos na gente e sumir do baile com um certo envolvido aí. Se bobear, você volta sem a sua amiga pra casa hoje! — Andrey fala tudo rapidamente, e todas nós caímos na gargalhada.

Dani faz uma cara irônica, se fazendo de ofendida.

Dani colocou um vestido rosa pink; Andrey, uma bermuda e uma camisa em tons pastéis; Rebeca, um vestido preto coladinho; e eu, uma saia preta e uma blusinha branca com brilhos, que a Rebeca trouxe para me emprestar. Serviu certinho, nada muito chamativo. Calcei uma sandália de salto que comprei no meu trabalho.

Dani me ajudou com a maquiagem, enquanto Andrey fez uma escova no meu cabelo. Me olhei no espelho e gostei do que vi.

— Gente, estamos uma delícia. Vamos tirar uma fotinho. Juntem todas aqui! — Andrey fala, vindo com o celular posicionado.

Tiramos a foto, e ele posta no F******k, marcando todas nós.

F******k de Andrey Freitas:

“Se a noite promete, então nós temos que cumprir”

Quando chegamos no tal baile, as ruas estavam cheias; tinha várias barraquinhas de bebidas e lanches. O som era muito alto, tínhamos que falar um no ouvido do outro.

Percebi que meus amigos conheciam quase todo mundo. A Dani, então, nem se fala: é bastante popular, inclusive com os vapores.

Assim que entramos, vejo o palco onde o DJ vai tocar.

O local é uma mistura de escuridão com flashes de luzes coloridas. Notei que há uma área elevada, com escadinhas, e, diferentemente daqui de baixo, que está lotado, lá tem bem menos pessoas. Mas não posso deixar de perceber vários homens armados, tanto lá, quanto aqui.

Dani, percebendo que eu olho tudo, me explica que é o camarote onde fica o chefe e todo o bonde dele; inclusive, há muitas mulheres lá.

Eu não me sinto totalmente à vontade. Estou com uma sensação de ser observada; deve ser porque nunca estive em um local como esse e com tanta gente junto.

Andrey já foi logo atrás de trazer umas caipivodkas pra nós. Eu tentei recusar, mas disse que deixaram?

— Bebe, boba. A sua eu pedi pra fazerem mais fraquinha, você vai gostar! Vamos brindar? — ele levantou o copo.

Brindamos, e o tal LC chega e fala algo no ouvido da Rebeca. Ela sorri meio sem jeito, e eu me pergunto de onde esse cara saiu. Brotou do chão? Há um segundo atrás, ele não estava aqui.

Percebo que ele fala mais alguma coisa, e ela nega com a cabeça, até que ele beija o pescoço dela e sobe para o camarote.

Rebeca diz que ele a convidou para ir para o camarote e que é para irmos com ela, mas ela não quer ir.

— Ah, vamos sim. Deixa de ser bestinha, ruiva! Lá tem comidinhas, bebida, tudo liberado, e você é caidinha por ele, que eu sei. Tá louca pra reviver os velhos tempos. Esse lance de vocês é antigo, então para de bancar a mona difícil!

Rio com as coisas que o Andrey fala.

— Fê, não escuta tudo que ele diz, não! Lá não é tudo liberado. — Dani diz. — Às vezes, custa muito caro estar lá.

Como é? Do que ela tá falando, gente?

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