Caleb
A saída do hospital foi silenciosa. Não aquele silêncio pesado, ruim. Era um silêncio de cansaço bom, de quem sobreviveu a algo grande demais.
Lucas estava na cadeirinha, já meio dormindo, com a cabeça tombada pro lado. Isabela resmungava baixinho, aquele som indeciso de quem ainda não sabe falar direito, mas sabe reclamar. Pamela sentou atrás com eles, uma mão em cada um, como se ainda tivesse medo de que sumissem se ela soltasse.
Eu liguei o carro e respirei fundo antes de sair.
— Agora acabou — falei, mais pra mim do que pra ela. — Agora tudo vai ficar bem.
Pamela me olhou pelo retrovisor. Os olhos cansados, inchados, mas com um alívio que eu nunca tinha visto antes.
— Vai sim — ela respondeu. — Eles estão com a gente.
O caminho até em casa pareceu diferente. As ruas eram as mesmas, os semáforos, os prédios. Mas eu não era mais o mesmo cara que tinha saído dali dias antes. Eu estava mais atento, mais presente. Cada curva, cada freada, tudo parecia importante.
Quando chegamos,