Daniel
Eu fechei a porta devagar. Não por educação. Foi pra ganhar tempo. Tempo pra respirar. Tempo pra pensar. Tempo pra organizar o caos que acabou de atravessar minha sala junto com a Pamela e o Caleb.
Quando a fechadura fez aquele clique seco, eu encostei a testa na madeira e soltei uma risada curta. Nervosa. Daquelas que não têm graça nenhuma.
Então eles perceberam.
Eu sabia que esse momento ia chegar. Só não achei que fosse tão cedo.
Virei de costas pra porta e caminhei pela sala, passando a mão no rosto, no cabelo, na barba por fazer. Meu coração estava acelerado demais. Não era medo puro. Era mistura. Medo, tensão, excitação e uma pontada de raiva.
Achei mesmo que dava pra passar despercebido.
Achei que mudar de país, de nome social, de jeito de andar, de falar, de se vestir… que tudo isso seria suficiente. Mas tem coisa que não muda. Tem coisa que grita sem som.
O rosto.
A porra do rosto.
A semelhança era grande demais. Grande demais pra um homem como o Caleb ignorar. Ele sem