capítulo 3

***CAPÍTULO 3***

ÍRIS ORLANDO NARRANDO

Eu não lembro de ter adormecido, não lembro do momento que parei de chorar, não lembro a hora, não lembro o segundo, naquele momento, meu peito doía, meu peito rasgava, todo esforço, cada centavo, cada econômica tinha ido embora.

Elas levaram tudo, meu orgulho, minha honra, meu sonho, eu não tinha nada, não tenho nada.

Ergui meu corpo ficando na posição sentada, alcancei minha mochila, joguei duas calças e duas camisetas, todas minhas roupas são gastas, não faz diferença levar uma peça, abri minha gaveta e levei meus documentos, isso é importante, mesmo sem dinheiro, fechei minha mochila e saí de casa sem olhar para trás.

- Íris?

Tia Vanessa disse, ao abrir a porta da sua casa, ela olhou-me de cima a baixo, eu não precisei dizer uma única palavra, ela abraçou-me.

- Você levou seus documentos.

Balancei a cabeça no seu peito.

- Venha.

Ela puxou-me para o interior da casa.

- Amor, quem é?

Tio gritou do andar de cima.

- Íris.

Tia Vanessa gritou de volta, ela sorriu para mim.

- Vai conseguir viajar?

Eu assenti concordando, ela foi abrir uma gaveta, tirou um papel, depois subiu correndo para o andar de cima, ela voltou com o tio.

- Vamos, nós vamos levar você para ponto de ônibus.

Fiquei em pé, lentamente os segui para o carro.

- Tem certeza? Você ficará deprimida sem ela aqui.

Tio perguntou a tia Vanessa.

- Vou ficar tranquila se eu souber que ela está bem.

- Tudo bem, você irá visitar ela sempre que possível.

- Sim.

Tia sorrio, nós chegamos no ponto de viagens.

- Este é o endereço da mansão, minha tia estará esperando-a.

Eu assenti concordando.

- Este é o endereço do seu quarto, não se perca.

Não vou me perder.

- Aqui.

Ela me entregou dinheiro.

- Eu sei que elas tiraram tudo de você, aproveite essa chance para mudar de vida, seja gentil com as pessoas, mas não permita que te machuquem, seja esperta, algumas pessoas são más, seja simpática e sorria.

- Eu vou me comportar bem.

- Boa garota.

Ela me abraçou.

- Ligue todo santo dia.

Balancei a cabeça concordando com ela.

- Eu vou ligar.

- Vá.

Eu balancei a cabeça concordando, levantei a mão dando um tchau para meu tio e entrei no ônibus, entreguei o bilhete para o motorista e fui sentar no assento de trás, serão 7 horas de viagem, vou descansar um pouco.

Desci do táxi e verifiquei o endereço da mansão, é esse mesmo, seus portões são enormes, tem uma campainha, apertei a campainha e do nada apareceu um senhor na Mini porta.

- Boa tarde senhor, sou Íris Orlando...

- Íris? A governanta estava preocupada com você, entre.

Governanta? Eu sorrio para o homem simpático e entrei, abri minha boca ao ver o jardim enorme, nossa, é grande.

- Você é do interior?

Interior? Pode se dizer que sim.

- Está é a mansão do senhor Mendes, ele é bastante rico, por isso possuí muita riqueza.

Sorrio.

- Qual ramo ele atua?

Questionei sorrindo.

- Você estudou?

- Infelizmente não terminei o ensino básico, sou inteligente e entendo um pouco o que os outros dizem.

Eu sorrio.

- Boa menina, boa menina, fica fácil te ensinar às coisas.

Eu sorrio, ele me guiou para porta dos fundos que nos levaram diretamente para cozinha.

- Zuleide, ela chegou.

Uma mulher dos seus 40 anos entrou na cozinha, eu tentei parecer o mais normal possível, não posso perder este emprego.

- Quantos anos você tem?

Governanta Zuleide perguntou.

- Eu tenho 20 anos.

Eu respondo educadamente.

- 20? Você parece ter 15.

15? Virei minha mochila e procurei pelos meus documentos, eu a entreguei para verificar minha idade.

- Ela realmente tem 20 anos.

O senhor que me recebeu na porta confirmou.

- Prepare seu contrato de trabalho, ela será ajudante de cozinha e servente.

- Agora mesmo.

Eu sorrio.

- Está cansada? Vou mostrar seu quarto.

- Tia Vanessa alugou um quarto para mim.

Eu justifiquei para ela não se preocupar, não quero dar trabalho.

- Aqui é diferente das outras casas, só saí nas sextas-feiras.

Oh, irei trabalhar de segunda a sexta feira e terei folga nos finais de semana, é prático.

- Entendi.

Lentamente ela me guiou para um corredor, depois abriu a porta do quarto.

- Como ajudante de cozinha, você levanta às 6h da manhã para o café estar na mesa às 7:30, algumas vezes, os patrões irão chamar de noite, seja prestativa.

Eu balancei a cabeça concordando.

- Sim, governanta Zuleide.

- Vá tomar banho, depois venha comer, há um telefone no quarto, ligue para Vanessa.

- Obrigada.

Ela saiu do quarto e eu corri para cômoda, tirei o telefone do gancho e digitei rapidamente o número da tia Vanessa, eu tenho número na minha cabeça, não vou esquecer, nunca, o telefone começou a chamar.

- Alô?

Tia Vanessa disse como se estivesse desesperada por notícias.

- Tia Vanessa, sou eu.

Digo rapidamente, é notável que ela está preocupada comigo.

- Íris, graças a Deus, chegou bem?

Balancei a cabeça, mas lembrei que ela não está aqui.

- Sim, cheguei a pouco tempo.

Informei.

- Boa menina, boa menina, está cansada? Quando estiver de folga, vá comprar alguma roupa bonita.

- Estou um pouco cansada da viagem, não se preocupe, primeiro vou juntar dinheiro, depois procurar comprar um telefone.

- Graças a Deus, sua vida vai mudar, pensa....

- Vanessa.

Essa é a voz da minha mãe.

- Que história é essa que minha filha foi para cidade grande?

- Querida, vá tomar banho e descansar, amanhã você começa um novo dia.

- Sim, tia Vanessa.

Ouço a ligação encerrar, eu olhei para o telefone, depois devolvi para o gancho, tia Vanessa sabe como colocar minha mãe no lugar dela, não preciso me preocupar com ela, olhei em volta do quarto, ele é maior que meu antigo quarto, é bonito, simples paredes brancas perfeitamente alinhadas, passei pela porta de madeira invadindo o banheiro, tudo branco, entretanto é muito bonito, tomei banho, troquei de roupas, depois saí do quarto indo para cozinha.

- Bem a tempo.

Governanta Zuleide disse.

- Este é seu contrato de trabalho.

Eu sentei à mesa e comecei a ler, aqui diz que vou passar a receber 8 mil mensais, é muito mais do que imaginei que uma empregada recebesse, verifiquei os termos de confidencialidade, depois assinei.

- Coma, amanhã, será seu primeiro dia de trabalho.

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