A escuridão foi a primeira coisa que Amélia percebeu quando voltou a si.
Não era uma escuridão comum, dessas que vêm com o fechar dos olhos ou com um quarto sem luz. Era densa, espessa, parecia colar na pele, invadir os pulmões, pressionar o peito. O chão sob o corpo era frio e irregular, duro o suficiente para fazê-la gemer baixinho quando tentou se mexer, sentindo o corpo inteiro reclamar.
A cabeça latejava.
A última lembrança veio como um estalo doloroso: a estrada, o carro fumegando, o impa