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Capítulo 5 — Adalberto narrando

Eu não gostava de perder tempo com gente que não sabia administrar os próprios problemas. Dinheiro nunca havia sido uma dificuldade para mim. Eu podia movimentar milhões em um único dia sem sentir qualquer diferença no meu patrimônio, mas isso não significava que eu aceitasse ser passado para trás. Uma dívida era uma dívida. Um acordo era um acordo. E quando alguém quebrava a própria palavra comigo, deixava de ser uma questão financeira e passava a ser uma questão de respeito. Por isso, naquela manhã, quando Henrique entrou no meu escritório carregando uma pasta mais grossa do que a anterior, eu já sabia que havia alguma coisa errada.

— Senta.

Henrique colocou a pasta sobre a mesa e abriu os documentos.

— Descobrimos o tamanho real da dívida de Valquíria.

Continuei olhando para a tela do computador.

— E?

— É maior do que imaginávamos.

Levantei os olhos.

— Quanto?

Ele informou o valor.

Fiquei alguns segundos em silêncio. Não porque aquela quantia fosse capaz de me impressionar. Não era. Eu tinha dinheiro suficiente para cobrir aquilo sem precisar pensar duas vezes. O que me incomodava era saber que aquela mulher havia conseguido chegar a uma situação tão desesperadora sem procurar uma solução antes.

— Ela tem algum patrimônio escondido?

— Procuramos tudo. Contas, imóveis, investimentos, empresas, veículos. O que existe está praticamente comprometido.

— E a mansão?

— Também está envolvida.

Fechei a pasta.

— Então ela perde.

Henrique respirou fundo.

— Ela pediu mais tempo.

— Não.

— Eu imaginei.

— Ela já teve tempo.

— Ela insiste que consegue levantar uma parte.

— Não me interessa.

Eu me recostei na cadeira.

— Quando alguém me deve uma quantia desse tamanho, não deveria aparecer diante de mim pedindo mais prazo depois de semanas sem pagar.

— Ela sabe disso.

— Então sabe também o que pode acontecer.

Henrique assentiu.

— Ela está desesperada.

— Problema dela.

Eu não sentia pena.

Nunca senti.

O mundo não tinha piedade de mim quando precisei construir meu império. Não tive ninguém segurando minha mão quando precisei tomar decisões difíceis. Não tive ninguém dizendo que seria fácil. Aprendi sozinho que, quando você deve alguma coisa, precisa pagar. Se não consegue pagar com dinheiro, perde alguma coisa que tenha valor.

Era simples.

Henrique fechou a pasta.

— Tem mais uma coisa.

— Fala.

— Valquíria pediu para falar diretamente com o senhor.

Soltei uma risada curta.

— Ela teve coragem?

— Parece que sim.

— Marque.

— Quando?

— Hoje.

Henrique assentiu.

— Ela virá aqui?

— Não.

Olhei para ele.

— Eu vou até ela.

Henrique pareceu surpreso.

— Tem certeza?

— Quero olhar nos olhos dela enquanto ela explica por que acredita que pode brincar comigo.

Algumas horas depois, eu estava dentro do carro, acompanhado por dois dos meus homens. Não gostava de andar com escolta ostensiva quando não havia necessidade, mas naquela região ninguém precisava me perguntar quem eu era. Meu nome já chegava antes de mim.

Quando chegamos à propriedade de Valquíria, os portões foram abertos rapidamente.

Desci do carro e caminhei até a entrada.

Valquíria já estava esperando.

Ela parecia diferente da última vez que eu havia visto uma fotografia dela. Mais velha. Mais abatida. O rosto estava tenso, e havia olheiras sob os olhos. Tentava manter a postura de mulher rica, mas eu conseguia enxergar o desespero por trás da maquiagem.

— Senhor Adalberto.

— Valquíria.

Ela tentou sorrir.

— Obrigada por ter vindo.

— Não vim fazer uma visita.

O sorriso desapareceu.

— Eu sei.

Entrei.

A mansão era grande, luxuosa e cheia de objetos caros. Observei tudo rapidamente. Não precisava de muito tempo para entender que aquela mulher havia construído uma vida acima do que realmente podia sustentar.

Sentamo-nos na sala.

— Eu gostaria de pedir mais alguns dias — ela começou.

— Não.

Ela engoliu em seco.

— O senhor nem vai me ouvir?

— Estou ouvindo.

— Então, por favor, me dê uma oportunidade.

— Você já teve.

— Eu consigo levantar o dinheiro.

— Não consegue.

— Posso vender alguns bens.

— Já foram avaliados.

Ela ficou em silêncio.

— Eu posso…

— Valquíria.

Minha voz foi suficiente para fazê-la parar.

— Eu não tenho tempo para ouvir desculpas.

Ela apertou as mãos no colo.

— Existe outra possibilidade.

Fiquei olhando para ela.

— Qual?

Valquíria hesitou.

Foi a primeira vez que percebi que ela estava prestes a dizer algo que havia planejado cuidadosamente.

— Eu tenho uma pessoa.

Franzi a testa.

— Uma pessoa?

— Alguém que pode resolver essa dívida.

— Como?

Ela levantou os olhos.

— Minha enteada.

Fiquei em silêncio.

— Celine.

O nome que Henrique havia mencionado anteriormente.

Cruzei os braços.

— E o que sua enteada tem a ver com o meu dinheiro?

— Ela pode ser útil.

— Explique.

Valquíria respirou fundo.

— Celine tem vinte e um anos. É bonita. Muito bonita. Jovem, inocente… nunca teve namorado sério. Não conhece esse mundo.

Eu não demonstrei qualquer reação.

— Continue.

— Ela não tem ninguém. O pai morreu quando ela era criança. A mãe também não está mais aqui. Eu sou a única família que ela conhece.

Olhei para Valquíria.

— E você pretende usar essa garota para pagar uma dívida.

— Ela não vai saber que está sendo usada.

Meu olhar endureceu.

— Isso deveria me convencer?

— Eu estou tentando sobreviver.

— Então sobreviva.

Ela se aproximou um pouco.

— Ela é perfeita para o senhor.

Eu quase ri.

— Você não sabe absolutamente nada sobre mim.

— Sei que o senhor pode ter qualquer mulher que quiser.

— Posso.

— Então não seria difícil.

— Não confunda interesse com necessidade.

Valquíria ficou em silêncio.

Eu já havia conhecido mulheres muito mais bonitas do que qualquer fotografia poderia mostrar. Mulheres que se aproximavam de mim por dinheiro, poder ou simplesmente pelo prazer de dizer que haviam passado uma noite comigo. Nunca precisei comprar companhia. Nunca precisei implorar atenção.

— Pessoas não significam nada para mim — falei. — Se essa garota é realmente como você diz, isso não muda minha dívida.

Valquíria ficou nervosa.

— Mas ela pode valer muito.

A frase me fez encará-la.

— Você está falando da sua enteada como se fosse mercadoria.

— Ela não tem utilidade para mais nada.

Aquilo confirmou exatamente o tipo de pessoa que eu imaginava.

— E o que você quer em troca?

— Que o senhor perdoe minha dívida.

— Toda?

— Sim.

— Por uma garota?

Ela assentiu.

Fiquei alguns segundos pensando.

Não porque estivesse interessado na garota.

Eu estava interessado na situação.

Havia alguma coisa errada.

Valquíria estava desesperada demais para oferecer alguém tão facilmente.

— Quero conhecê-la.

Os olhos dela se arregalaram.

— Hoje?

— Sim.

— Ela não sabe de nada.

— Melhor ainda.

— E se ela não aceitar?

Olhei diretamente para ela.

— Você disse que ela não tem ninguém.

Valquíria abaixou os olhos.

Eu entendi.

Para ela, aquela garota já estava entregue.

Levantei-me.

— Vou vê-la.

— E a dívida?

— Ainda não decidi.

Ela ficou pálida.

— Senhor Adalberto…

— Eu disse que vou conhecê-la. Não disse que aceitei seu acordo.

Saí da sala.

No caminho até o carro, Henrique se aproximou.

— Quer que eu descubra mais sobre Celine?

— Tudo.

— Nome completo, documentos, rotina?

— Tudo.

— E se Valquíria estiver mentindo?

— Então vamos descobrir.

Entrei no carro.

Pouco depois, meu celular tocou. Era Henrique.

— Chefe.

— Fala.

— Celine está em casa.

— Ótimo.

— Quer que a gente vá buscá-la?

Olhei pela janela.

— Sim.

— Como devemos fazer?

— Sem violência.

Henrique ficou em silêncio por alguns segundos.

— Entendido.

— Quero que ela seja trazida até mim.

— Sim, senhor.

Desliguei.

Recostei a cabeça no banco.

Eu ainda não sabia o que encontraria.

Talvez uma garota interesseira.

Talvez alguém tentando usar aquela situação para conseguir dinheiro.

Talvez uma mulher tão desesperada quanto Valquíria.

Não me importava.

Eu só queria resolver aquela dívida.

Nada além disso.

Eu não acreditava em destino. Não acreditava em almas gêmeas. Não acreditava que uma pessoa pudesse entrar na vida de outra e mudar tudo.

Minha vida funcionava perfeitamente sem amor.

Eu tinha dinheiro.

Poder.

Respeito.

Mulheres.

Empresas.

Homens dispostos a morrer por mim.

Eu tinha tudo.

E não precisava de ninguém.

Muito menos de uma garota inocente que uma mulher desesperada estava tentando entregar para salvar a própria fortuna.

Foi isso que pensei naquele momento.

Foi isso que acreditei.

Porque eu ainda não sabia que, dentro daquela mansão, existia uma jovem chamada Celine que estava prestes a entrar na minha vida.

E, pela primeira vez, eu estava prestes a descobrir que existiam coisas que dinheiro nenhum poderia controlar.

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