Mundo de ficçãoIniciar sessãoEle ergue uma das sobrancelhas com uma expressão divertida de desafio.
— Rei dos Garanhões? Eu me dou conta um segundo tarde demais da audácia do apelido informal que deixei escapar naturalmente da minha boca. — É exatamente dessa maneira que algumas revistas especializadas do setor costumam se referir ao senhor em suas reportagens. — Eu sei perfeitamente que eles me chamam assim nas matérias. — Se o senhor já sabia disso, então por qual razão me fez essa pergunta? — Eu só queria ter a certeza empírica de que você teria a coragem necessária para repetir esse apelido ridículo olhando diretamente nos meus olhos. Eu mordo discretamente o meu lábio inferior na tentativa de conter uma risada espontânea que ameaça sair. — Pelo visto, eu acabei demonstrando que tenho essa coragem. Ele ri baixinho ao me ouvir dizer isso. Não é uma gargalhada expansiva, é apenas uma risada contida, grave e inesperadamente agradável de se ouvir, mas existe alguma coisa muito clara na expressão do seu rosto que se transforma e se suaviza completamente naquele exato instante. — Definitivamente, você não parece nem um pouco preocupada em tentar me impressionar com bajulações, Madison. É a primeira vez desde que nos encontramos que ele utiliza o meu primeiro nome de maneira tão natural e direta. — E por qual razão eu deveria estar preocupada em tentar impressioná-lo de alguma forma? — A grande maioria das pessoas presentes neste congresso parece estar desesperadamente preocupada em conseguir fazer exatamente isso desde o momento em que cheguei. — Eu vim até Kentucky puramente para aprender o máximo possível sobre criação e genética de cavalos. Tentar impressionar empresários bilionários definitivamente não estava incluído no meu roteiro original de viagem. Preston volta a rir com um entusiasmo renovado ao ouvir a minha resposta franca. — Definitivamente, você é uma pessoa muito diferente do padrão que estou acostumado a encontrar por onde passo. — O silêncio confortável que se estabelece entre nós dois logo em seguida não carrega absolutamente nenhum traço de constrangimento ou pressa. Eu me volto levemente para a janela, observando os campos verdes que se estendem do lado de fora, e percebo que aquela paisagem belíssima deve ser algo extremamente comum para ele, mas continua sendo uma experiência visual completamente nova e encantadora para mim. — Esta é realmente a sua primeira viagem para o estado de Kentucky? — pergunta ele de forma atenta. — Para ser completamente honesta com o senhor, esta é a primeira vez na minha vida inteira que eu saio das fronteiras do estado do Texas. Ele parece genuinamente surpreso ao receber essa informação. — E qual é a sua impressão sincera sobre o que está encontrando por aqui até agora? — Eu estou achando um lugar muito bonito, sem dúvida. Mas confesso que acho tudo verde demais por onde passo. — Verde demais? — Eu sou uma garota do Texas, afinal de contas. Eu preciso arranjar algum motivo razoável para reclamar da terra dos outros. Mais uma risada leve e sincera escapa dos seus lábios diante do meu comentário humorado. — Eu realmente não consigo entender a razão exata, mas ver aquele homem sério sorrir daquela maneira me traz uma sensação inexplicável de satisfação pessoal. — Ele fica me observando em silêncio durante alguns longos segundos e, pela primeira vez desde que o vi subir ao palco, eu consigo notar que aquela severidade marcante que enxerguei inicialmente talvez seja apenas uma armadura de proteção. — Existe um cansaço profundo escondido por baixo daquela postura impecável, acompanhado por uma sombra evidente de tristeza. Uma tristeza antiga e enraizada que ele carrega consigo. — Eu decido não fazer qualquer pergunta ou indagação sobre isso. — Afinal, o meu pai também me ensinou desde muito cedo que respeitar as pessoas significa ter a sabedoria e a delicadeza de saber exatamente quando não se deve tentar atravessar determinadas cercas invisíveis. — Quais são os seus planos profissionais assim que as atividades deste congresso se encerrarem oficialmente? — pergunta Preston, mudando suavemente o rumo do assunto. — Eu pretendo pegar o primeiro voo disponível e voltar direto para Silver Creek. — O seu regresso precisa ser feito de maneira tão imediata assim? — O mais rápido possível, sim, o nosso haras está finalmente iniciando uma nova e importante fase de estruturação e o meu pai precisa imensamente da minha ajuda no trabalho diário. — Eu não posso me dar ao luxo de ficar viajando por aí passeando durante muito tempo. — E qual é exatamente o seu papel e as suas responsabilidades por lá? — Eu faço absolutamente um pouco de tudo o que for necessário na rotina. — Geralmente, quando alguém me dá uma resposta abrangente como essa, isso significa que a pessoa trabalha infinitamente mais do que deveria. — Eu cuido de toda a parte de registros e documentações técnicas dos animais, acompanho de perto o manejo diário dos potros, ajudo nas avaliações físicas do rebanho, estudo detalhadamente as linhagens genéticas para os próximos cruzamentos, organizo os dados de reprodução e, sempre que o meu pai demonstra um pouco de paciência para me ouvir, eu faço questão de dar a minha opinião técnica em assuntos onde ninguém me chamou para opinar. Ele sorri abertamente com a minha descrição sincera. — Eu sou capaz de imaginar perfeitamente que essa sua última atribuição aconteça com uma frequência bastante alta por lá. — Acontece com uma frequência bastante razoável, confesso. Preston volta o seu olhar pensativo para a paisagem verde do lado de fora da janela antes de redirecionar toda a sua atenção concentrada para mim novamente. — Sendo assim, permita-me fazer um convite oficial à senhorita antes que você decida embarcar de volta para o Texas. O meu sorriso inicial desaparece lentamente, dando lugar a uma ponta irresistível de curiosidade. — De que tipo de convite o senhor está falando especificamente? — Eu gostaria de convidar você para vir conhecer pessoalmente as instalações de Ravenstone Valley antes de ir embora.






