Mundo de ficçãoIniciar sessãoAos três anos, Josh foi levado pelo pai para Nova York, depois que sua mãe abriu mão da guarda. Apesar da distância, os dois sempre mantiveram contato ao longo dos anos. Agora, com dezessete anos, Josh é obrigado a voltar para Beaufort, na Carolina do Norte, e reencontrar a mãe que mal conhece. O que deveria ser uma reconexão acaba se tornando um campo minado de ressentimentos, silêncios e conflitos difíceis de resolver. É nesse momento conturbado que ele conhece Luna. Uma garota determinada, quieta e incrivelmente estudiosa, que carrega no olhar a força de quem aprendeu cedo demais a lutar. Vítima de bullying desde a infância, Luna transformou as humilhações em combustível para crescer. Com sonhos grandes e uma determinação inabalável, ela se recusa a deixar que o mundo a diminua, até que a chegada de Josh, com seu jeito intenso e bagagem emocional pesada, começa a bagunçar o equilíbrio que ela tanto lutou para construir.
Ler maisMe chamo Josh.
Joshua Henrique Campbell. Vou contar a vocês um pouco sobre a minha vida. Na verdade, ela sempre foi basicamente comum. Bom… há alguns anos, tudo mudou de forma drástica. Tudo o que eu havia planejado para o meu futuro tomou um rumo inesperado. Fui surpreendido por acontecimentos que, no início, eu simplesmente não aceitava. Me revoltei. Lutei contra o que estava acontecendo, mas não tive forças. Quanto mais eu resistia, mais parecia ser arrastado de volta para o mesmo ponto em que tudo começou… 🍂 Oito anos antes… O dia amanheceu nublado e não apenas no céu. Estou indo para casa… ou melhor, sendo arrastado contra a minha vontade para um lugar que eu jamais conseguirei chamar de “lar”. Estou indo morar com minha mãe, que vive em Beaufort, Carolina do Norte. Perdi meu pai há poucas semanas, e está sendo muito difícil lidar com tudo isso , com a dor, com a perda, e agora com a mudança. Tudo aconteceu tão rápido que eu ainda não consegui assimilar. Além de ter que aceitar a ideia de nunca mais ver meu pai, sou obrigado a viver com uma mulher que mal conheço e que não consigo chamar de mãe. Não aceito o fato de ele ter partido. Parece um pesadelo. Meu pai era meu melhor amigo. Nosso relacionamento ia muito além de pai e filho, éramos parceiros, quase irmãos. Foi ele quem me ensinou a ler, quem me fez amar livros, quem me ensinou a andar de bicicleta. Foi um pai presente, um homem que sempre esteve do meu lado. Foi para ele que contei sobre meu primeiro beijo, meu primeiro encontro, minha primeira namorada. Com ele compartilhei meus medos, minhas frustrações, meus sonhos. E agora tudo isso acabou. Restaram apenas lembranças, lembranças das quais eu morro de medo de esquecer. Eu queria que ele estivesse presente na minha formatura, no meu casamento, no nascimento do meu filho. Mas tudo isso será impossível agora. E, por mais errado que pareça, às vezes me sinto culpado por pensar que ele foi egoísta em partir assim, sem nem ao menos se despedir. Por que Deus fez isso comigo? Com ele? Um cara tão bom, tão incrível. É revoltante. Por causa disso, a lei decidiu que eu deveria morar com a minha "mãe", uma mulher que raramente esteve presente, que sempre colocou o trabalho e a carreira acima de tudo. Tudo bem, nas poucas vezes em que eu passava as férias com ela, ela tentava compensar o tempo perdido, mas nada justifica o fato de ter aberto mão do próprio filho quando eu ainda era apenas uma criança de três anos. Você já imaginou crescer sabendo que sua mãe simplesmente desistiu de você? Mesmo assim, no fundo, eu sou grato. Porque, apesar de tudo, ela me deu a chance de viver ao lado de um homem como o meu pai. Sr. Patrick Campbell sempre foi incrível. Professor de literatura, mas um aventureiro nas horas vagas. Ele fugia da rotina do trabalho e se entregava ao esporte. Nas noites de verão em Nova York, depois do expediente, íamos lutar boxe, andar de skate ou de bicicleta. No inverno, esquiávamos. Nos fins de semana, ele amava escalar e acampar. Foram dias divertidos, cheios de vida e liberdade. Mas agora tudo acabou. E eu estou a caminho de uma cidade que mal conheço, longe dos meus amigos, da minha escola, do meu tio… longe da minha vida.Acordei com o som do alarme, mas por alguns segundos fiquei parado, encarando o teto, tentando entender se tudo o que tinha acontecido com Luna era real.A lembrança veio em ondas. O toque, os olhares, o jeito como ela pronunciou meu nome.Meu peito apertou e uma sensação quente tomou conta de mim.Era como se o mundo tivesse mudado, e eu ainda estivesse aprendendo a viver dentro dele.Me levantei devagar, ainda com o corpo leve, mas a mente cheia.Cada movimento me trazia de volta aqueles momentos e o quanto eles significaram.Não era só desejo. Era algo maior, mais profundo.E, ao mesmo tempo, havia o medo.O medo de que ela se arrependesse.O medo de que eu tivesse ido longe demais.Olhei meu reflexo no espelho e suspirei.— O que você fez, Josh? — murmurei para mim mesmo, meio rindo, meio nervoso. Mil pensamentos me invadiam naquele momento.Será que ela também estava pensando em mim? Será que estava bem?Peguei o celular e abri o chat. Nenhuma mensagem.Escrevi um “bom dia” e ap
No dia seguinte, como sempre, mal consegui me concentrar nas aulas. Cada segundo que passava, meu pensamento se voltava para Luna e para o encontro que tínhamos marcado mais tarde, na casa dela. Seus pais tiveram que viajar novamente com urgência para resolver um problema de família, então teríamos um tempo a sós, sem olhares curiosos ou fofoqueiros.Meu coração acelerava só de imaginar o que poderia acontecer quando estivéssemos sozinhos.Quando o sinal final tocou, meu passo era apressado, mas controlado, para não demonstrar a ansiedade que me consumia. Luna me esperava em frente à casa dela, sorrindo com aquele jeito tímido que sempre me deixava sem fôlego.— Oi, Josh. - Ela disse, —Vim mais cedo pra casa , para me organizar e fazer algum lanche pra nós.— Oi, Luna. - Respondi, tentando soar natural, mas sentindo que minhas mãos suavam.Entramos na casa e ela me conduziu até a sala, onde o ambiente estava aquecido pela luz suave do abajur e pelo cheiro de lavanda que tinha no ambie
O dia na escola passou rápido, mas meu coração ainda pulsava acelerado cada vez que eu lembrava da conversa com Luna. Ao final das aulas, combinei com ela de nos encontrarmos em um lugar tranquilo antes de voltarmos para casa.Ela me esperava em um pequeno parque próximo à praça central, sentada em um banco com os cabelos soltos e o olhar curioso. Quando me viu, sorriu levemente, e meu peito se aqueceu de imediato.— Oi, Josh — disse ela, levantando-se para me cumprimentar.— Oi, Luna — respondi, tentando parecer calmo, mas com o coração disparado.Caminhamos juntos pelos caminhos arborizados, deixando o parque quase vazio nos cercar com tranquilidade. Conversamos sobre coisas simples no começo como o livro que ela estava lendo, um filme que queria assistir, pequenas histórias do dia a dia. Mas, aos poucos, a conversa se tornou mais profunda, mais próxima.— Sabe, Josh… — ela começou, parando para olhar para o céu —, eu estava pensando sobre ontem, sobre nós.— E? — perguntei, ansios
Nos dias que se seguiram, o clima entre mim e Luna parecia mais leve, ainda que carregado de uma certa tensão. Começamos a passar mais tempo juntos, como ela sugeriu. No começo, nossas conversas eram como sempre tinham sido: sobre música, filmes, a escola e nossas famílias. Mas, aos poucos, havia algo novo se infiltrando entre as palavras, um misto de curiosidade e vulnerabilidade que ambos ainda estávamos aprendendo a navegar.Em um fim de tarde, depois da aula, decidimos caminhar juntos até um parque próximo. O sol estava se pondo, tingindo o céu de tons quentes de laranja e rosa, e a brisa fresca ajudava a aliviar o calor do dia. Sentamos em um banco sob uma árvore grande, o som das folhas ao vento preenchendo os momentos de silêncio entre nós.— Você vem aqui com frequência? - perguntei, observando como ela parecia confortável ali.— Não tanto quanto gostaria. - Ela sorriu, olhando para o horizonte. — Gosto do silêncio, sabe? Dá pra pensar melhor aqui.Assenti, sem dizer nada. Por





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