— Eu acredito. — Isabela disse.Na verdade, aquilo já não parecia tão importante.E se fosse ela na foto? Mudaria algo?— Sua mãe sabe que eu sou a ex-esposa do Sandro? Se ela souber, você acha que ela vai me aceitar como sua nora? E sua irmã? Se souber que estou com você, talvez não aceite bem eu me tornar a esposa do irmão dela, não é? — Ela se virou para Jorge e continuou. — Eu não aceito mentiras, de nenhum tipo. Não aceito, mesmo que você tenha mil razões para isso.Ele já deveria ter contado a ela que Clara era sua irmã. Ele deveria ter explicado tudo, que seu trabalho não era só de advogado. Não, na verdade, ser advogado era o título menos importante que ele possuía.Mas ela não sabia de nada. Ela ainda dizia, de maneira ingênua, que queria tentar com ele. Achava que eles que compartilhavam a mesma paixão pelo Direito.Mas, no fim, ela descobriu que não era bem assim.— Mentira? — Jorge perguntou. — Você acha que o que eu disse foi uma mentira?— Quando eu aceitei tentar ficar c
Quando chegou em casa e fechou a porta, Isabela sentiu o corpo todo sem forças, como se tivesse sido esvaziada por dentro. Ela se encostou na porta e, aos poucos, foi escorregando até se sentar no chão.Sua mente ficou em branco, e tudo ao seu redor parecia irreal.Parecia que não pensava em nada, mas ao mesmo tempo, pensava em tudo.As lembranças dos momentos com Jorge vinham à tona como fragmentos, invadindo sua mente, uma cena após a outra.Ela não entendia o que estava sentindo. Já tinha deixado tudo claro para ele, e Jorge também não insistiu nem a procurou mais. Era para ela estar aliviada, até feliz.Mas seu peito pesava como se carregasse uma pedra.Demorou um tempo até conseguir se acalmar. Só então se levantou devagar, se apoiando com dificuldade. Ela caminhou com passos trôpegos até o sofá, largou a sacola de papel de qualquer jeito e deixou o corpo cair, como uma marionete sem vida.Não tinha feito nada demais, mas se sentia exausta.Exausta de verdade.Seus olhos estavam v
Isabela ajeitou a expressão e disse com firmeza:— Você só vai fazer bem feito se realmente gostar disso.Leonardo deu um leve sorriso. Na verdade, já estava começando a achar a profissão interessante, achou tudo aquilo bem divertido.Ao saírem, Isabela foi com Leonardo no carro dele até o escritório de advocacia.Leonardo foi estacionar, e enquanto Isabela o esperava na porta, aquela garota apareceu. Ela contou que o tribunal havia obrigado a mãe a entregar o dinheiro, e que, assim que tivesse o valor em mãos, iria embora.Isabela desejou boa sorte a ela.A garota agradeceu antes de partir.Leonardo se aproximou, viu a garota indo embora e perguntou:— Ela veio falar com você sobre o quê?— Nada demais. — Respondeu Isabela, entrando no prédio.Ela ficou esperando o elevador, parada em frente à porta.Leonardo ficou ao lado dela e começou:— Ela parece tão coitadinha, né?Isabela não respondeu.Leonardo comentou, inclinando a cabeça:— Mana, você tem um coração de pedra mesmo.Ele acha
Jorge estava olhando algo quando ouviu a voz de Isabela. Ele levantou levemente os olhos.Isabela se aproximou da mesa de trabalho e perguntou:— Você tem algum trabalho para me passar?Havia uma distância estranha entre eles, algo sutil, mas perceptível.Jorge entregou um envelope para ela e disse:— Acho que isso pode ser útil para você.Isabela pegou o envelope, ainda sem entender o que ele estava fazendo.Luan estava organizando algumas coisas na estante de livros.Ela olhou para Jorge e perguntou com um ar de dúvida:— Vai viajar?Jorge parecia muito ocupado, olhando para algo com a cabeça baixa, e apenas fez um som de aprovação sem levantar os olhos.— Precisa de ajuda? — Isabela insistiu.— Não, vai fazer o que tem que fazer. — Ele nem sequer a olhou.— Certo. — Isabela assentiu com a cabeça.Ela se virou para ir embora.Foi exatamente naquele momento que Jorge levantou os olhos e observou seu corpo enquanto ela se afastava. Seus olhos, que antes estavam calmos, naquele momento
Naquele momento ela já era uma advogada capaz de tocar um caso sozinha, sem precisar agir às escondidas.Leonardo também podia finalmente acompanhar ela de forma legítima.Advogados oficialmente registrados podiam ter estagiários.Com o crachá de funcionária efetiva nas mãos, a primeira pessoa que ela pensou em contar a novidade foi Jorge. Mas ao abrir a conversa entre os dois, viu que a última mensagem tinha sido enviada há mais de um mês.Desde então, não tinham mais se falado.A empolgação dela esfriou de repente.Ela puxou os cantos da boca num sorriso autodepreciativo."Por que eu fui lembrar dele agora?", ela pensou consigo mesmo.Foi então ela colocou o celular de lado.De repente, Leonardo se debruçou sobre a mesa e a encarou.— O caso acabou! Eu fiquei esse tempo todo correndo atrás de você como escravo... Nada de recompensa?Isabela se assustou um pouco com a aparição repentina dele e lançou um olhar de lado.— Quando a gente terminar o próximo caso, eu te recompenso.Leonard
Naquele dia, quando Isabela Lopes foi levada ao tribunal pelo próprio marido, Sandro Marques, uma nevasca intensa tomava conta da cidade.Ela ainda se lembrava de como acreditava em seu amor. Durante sete anos, desde que se apaixonaram até o casamento, sempre teve certeza de que ele amava ela e que viviam um casamento feliz.Tudo mudou, porém, quando ele entregou ela às autoridades, sem hesitar, por causa de uma palavra dita por Milena.O juiz começou a leitura do caso de Isabela, acusada de porte de substâncias proibidas.— No dia 23 deste mês, durante uma blitz na Rua Oeste, agentes encontraram substâncias ilícitas no veículo conduzido pela Sra. Isabela. — Declarou o juiz. — Esta audiência é para examinar os detalhes da acusação. Solicito que o autor leia suas alegações.Sandro se levantou, o corpo alto e imponente vestido com um terno preto impecável, que só aumentava seu ar sério e afiado. Seus olhos, que um dia transbordavam de amor por sua esposa, agora mostravam apenas desaponta
Isabela se virou para olhar Sandro. Era curioso como palavras tão decisivas agora pareciam deslizar com facilidade.Sandro, com uma expressão gélida, retrucou sem titubear:— Não vou me divorciar de você. Você sabe disso muito bem.— Você é advogado, deveria entender o que está em jogo. Se eu for condenada, vou parar na cadeia...— Com as provas contra você, Isabela, não posso fazer nada além de seguir o que a lei manda...— Não, Sandro. Não é sobre provas. É sobre você acreditar na Milena e não em mim.Isabela sentia cada palavra pesando no ar. Era mais do que simplesmente uma questão de confiança: ele estava disposto a vê-la presa para defender Milena.Ele baixou os olhos e, evitando a intensidade do olhar dela, depois caminhou para as escadas, sem oferecer qualquer explicação:— Vamos para casa.Isabela ajustou o casaco grosso ao corpo e seguiu até o carro. Aquele dia estava frio e o vento cortava o rosto dela como pequenas lâminas geladas. Ela entrou no carro e o silêncio entre ele
Na cozinha, não havia sinal dela, nada do costumeiro movimento enquanto ela preparava o jantar. No quarto, o vazio reinava. A casa parecia outra sem a presença dela. Ele pegou o celular, já impaciente para ligar e perguntar onde ela estava, mas foi surpreendido ao ver a tela cheia de notificações de gastos no cartão. Como estava incomodado com as ligações constantes, havia deixado o celular no silencioso, sem imaginar que as notificações de consumo o tomariam de surpresa.A tela do celular estava cheia de registros de gastos, e ele não pôde deixar de franzir a testa.Ele tentou ligar para Isabela, mas ninguém atendeu. Sentiu um vazio incômodo crescendo dentro dele e puxou a gola da camisa para aliviar o desconforto, como se o ar tivesse ficado mais pesado. Em vez de se perder na angústia, foi ao escritório, buscando se distrair com trabalho, uma tentativa de colocar a cabeça no lugar. No entanto, o que ele encontrou sobre a mesa paralisou ele: o acordo de divórcio. Ao lado, a aliança q