Valentina acordou com uma dor de cabeça atroz; um martelo constante batia em seu crânio. As náuseas não desapareciam, mas se intensificavam. Tentou reconstruir a noite anterior, mas o pânico a paralisou. Estava nua, em uma cama que não era a sua, em um quarto de hotel desconhecido.
Ao seu lado, um homem dormia profundamente. Seu braço estava estendido. Mesmo em repouso, seu perfil era impactante: mandíbula forte, cabelo escuro ligeiramente desalinhado. Um homem atraente, um perfeito desconhecido.
O terror a invadiu. De repente, a lembrança a atingiu: aqueles lábios desconhecidos sobre os seus, os beijos, a paixão desenfreada. Questionou-se, aterrada, cheia de pânico: "O que foi que eu fiz? Quem se supõe que ele seja?"
No meio de todo o desastre mental, soube que não podia ficar nem mais um segundo. Tinha que fugir, e imediatamente! Saiu da cama silenciosamente, buscou seu vestido e seus sapatos, sentindo-se envergonhada e cheia de culpa. Abandonou o quarto sentindo que sua dignidade estava no chão. Não olhou para trás; saiu em disparada. A verdade se gravou a fogo em sua cabeça: havia traído seu noivo. Havia estado com outro homem.
Uma vez lá fora, pegou seu telefone com mãos trêmulas e soube que devia falar com Verônica, a última pessoa com quem se lembrava de estar. O que tinha acontecido exatamente? Ainda havia partes da noite das quais não se lembrava.
Verônica atendeu a chamada.
— Valentina, agora sim você relaxou o suficiente, hein?
Valentina ficou pensativa.
— A que você se refere com isso? Não entendo. E por que acordei em um hotel? — questionou, sua voz apenas um fio nervoso.
Verônica tratou rapidamente de tecer sua mentira:
— Ontem à noite você parecia bem contente com a situação. Foi uma espécie de despedida de solteira, um presente da minha parte antes de você se casar.
Valentina deixou cair o telefone sobre o colo enquanto ia na parte de trás do táxi. Não conseguia acreditar. Verônica a tinha impulsionado, a tinha empurrado a passar a noite com outra pessoa! Estava enlouquecendo.
"Como pude ser tão tonta a ponto de querer que Verônica se mostrasse próxima de mim?"
Desesperada, escreveu uma mensagem para Verônica: "O que aconteceu ontem à noite não pode chegar ao conhecimento do meu noivo. Você ficou louca? Como pôde me fazer algo assim?"
A resposta foi imediata e fria: "Relaxe. É um presente e, claro, um segredo. Espero que tenha aproveitado."
Valentina carregou a culpa, uma verdade que não podia confessar a ninguém.
Minutos depois, Declan levantou-se. Apalpou o outro lado da cama e encontrou apenas lençóis frios. A ausência da mulher que conhecera fugazmente. Levantou-se de um salto, o quarto bagunçado ao seu redor. Perguntou-se por que ela tinha ido embora.
Já no banheiro, olhou-se no espelho, perguntando-se por que não conseguia parar de pensar naquela desconhecida, em seu cabelo curto, seus olhos, a intensidade do momento. Ele não estava acostumado a que as mulheres fugissem assim. Sentia uma curiosidade imensa.
Ligou para seu amigo.
— Dorian, gostaria de saber um pouco mais sobre a mulher que você enviou.
Dorian ficou pensativo.
— Não sei exatamente a que você se refere, Declan. Com certeza enviei a Paulina para te ajudar um pouco com o estresse e tudo mais, como um presentinho. Mas a mulher cancelou logo depois. Esqueci de te avisar.
Declan ficou completamente perplexo. Se a mulher que seu amigo enviara não tinha aparecido... com quem diabos ele passara a noite?
Naquela noite, Verônica chamou Edward para uma reunião secreta em um lugar discreto.
Edward parecia ocupado, estressado. Olhava para o relógio constantemente.
— Agora que estamos reunidos aqui, quero que vá direto ao ponto. Qual é a razão pela qual queria me ver? — exigiu ele.
Verônica sorriu, um sorriso malicioso que prometia veneno.
— Cumpri o que te prometi. Trouxe provas de que minha irmã está sendo infiel. E por isso estou aqui, para te dar.
Edward pegou o telefone com as mãos trêmulas e olhou as fotografias. O sangue subiu à cabeça. A fúria superou qualquer outra emoção. Sua noiva, em quem confiara, o humilhara. Estava vendo-a ali, naquela cama, com outro homem. Não conseguia ver o rosto do sujeito, o que só aumentava sua raiva.
Olhou para Verônica.
— Quem é ele? — exigiu saber.
Verônica deu de ombros, com a mentira pronta.
— Na verdade, não sei. Mas estive vigiando minha irmã de perto, segui-a até aquele lugar... E ela... descobri isso. O importante aqui é que ela te traiu, Edward. É uma mentirosa. Te enganou.
— Desde quando você sabe disso?
— Na verdade, soube há algumas semanas, mas só agora obtive as provas para que você não continuasse sendo enganado.
Edward bufou sonoramente, devolveu o telefone a Verônica, e seu rosto endureceu com uma frieza gélida.
— O casamento continua de pé — decretou com firmeza.
Verônica ficou genuinamente surpresa.
— O quê?!
— Vou agir como se nada tivesse acontecido — continuou Edward, com a voz baixa e perigosa —. E quando for o momento, farei com que ela pague diante de todos. Vou humilhá-la assim como ela me humilhou.
Verônica sentiu um alívio triunfal. Sabia que Edward se vingaria e não a perdoaria.
— Acho que é o correto, Edward. As coisas não podem ficar assim.
Edward esboçou um sorriso sem alegria.
— Eu me pergunto como é que você, sendo irmã dela, de repente nem se preocupa em salvá-la, ou por que está do meu lado em vez do dela.
Verônica deu de ombros, a indiferença como arma.
— O fato de ela ser minha irmã não significa que eu a adore e que deva carregar seus segredos sujos, suas mentiras. Ela deve pagar pelo que fez a você.
— E pagará. Essa cadela pagará — sentenciou Edward, com o ódio brilhando nos olhos.