03

A noite de garotas finalmente chegou. Verônica informou a Valentina que a celebração seria em uma boate tão exclusiva que o nome já era um sinal de exclamação.

— Verônica, não me diga que você gastou uma fortuna para algo assim — soltou, impressionada.

Verônica deu de ombros, com aquela arrogância que lhe caía tão bem.

— Não se preocupe com isso. Quem se preocupa quando o dinheiro é o que nos sobra? Você só se preocupe em se divertir.

— Gosto que estejamos assim, que estejamos tão próximas — confessou Valentina com um sorriso sincero. Não tinha a menor ideia das intenções da mulher.

— Pois suponho que é o mínimo que posso fazer, ainda mais quando você vai se casar e sair de casa. A verdade é que pensei muito nisso, e você é minha irmã. Como eu poderia não ter pelo menos essa aproximação com você? — Verônica pronunciou essa palavra, "irmã", e sentiu que lhe custava a vida.

— Posso te dar um abraço?

Verônica aceitou. Sorriu falsamente enquanto recebia o abraço, sentindo-se enojada por dentro.

Finalmente se puseram a caminho. Mais duas jovens se juntaram a elas. As quatro foram em um carro, com Valentina de copiloto enquanto Verônica dirigia. A noite parecia perfeita.

Chegaram à boate, um formigueiro de gente bebendo, conversando, dançando. Sentaram-se em sofás confortáveis, em uma zona reservada e exclusiva. As bebidas começaram a fluir.

Valentina inclinou-se e sussurrou para Verônica:

— Não vou beber muito. Não quero ficar bêbada, de verdade. Evito bebidas fortes porque sempre que bebo posso fazer um espetáculo ridículo.

— E por que você se preocuparia com isso agora? — replicou Verônica, com um olhar intenso —. Aproveite. Divirta-se. Esqueça de ser tão... importante.

Valentina deixou-se levar por aquelas palavras. A quem importava o que os outros faziam? Só queria passar um bom momento.

Mas, de repente, Valentina começou a se sentir tonta.

— Verônica, acho que preciso voltar para casa. Não estou me sentindo muito bem.

Verônica soube que havia funcionado. O que ela tinha adicionado à bebida surtira efeito à perfeição.

— Não se preocupe, Valentina. Vou te levar para casa sã e salva — prometeu, enquanto se despedia das outras duas garotas, que já estavam bem bêbadas.

Verônica retirou-se com Valentina. Segurá-la e ajudá-la a caminhar era um pesadelo. Ela estava muito pesada, mas Verônica a arrastou até o lado de fora.

Em vez de levá-la para casa, Verônica pegou um táxi e ajudou a irmã a subir no banco de trás. Deu instruções ao homem, instruções que Valentina mal pôde ouvir.

— Aonde vamos exatamente, Verônica? Quero ir para casa — balbuciou, tentando focar a visão sem sucesso.

Verônica acariciou seu ombro com um carinho falso que a queimava.

— Vamos para um lugar muito melhor. Não se preocupe. Reservei uma suíte de relaxamento para você. Considere como um presente de casamento — mentiu.

Chegaram ao hotel. Verônica ajudou sua irmã a caminhar até pararem na recepção. Trocou um olhar cúmplice com a recepcionista, a quem tinha pago uma quantia exorbitante.

— O senhor chegará logo — lembrou a recepcionista.

Verônica sorriu após entregar-lhe um maço de notas e dirigiu-se ao elevador com sua irmã. Subiram ao último andar. Verônica sabia o número exato do quarto, que estava em nome de um homem cuja identidade não lhe importava: ela apenas o usaria.

Antes que Valentina pudesse protestar, Verônica empurrou-a suavemente para dentro da porta. A fechadura era digital. Verônica tinha pago para ter um cartão magnético extra. Abriu a porta.

— Por acaso você vai me deixar sozinha aqui? — murmurou Valentina.

— Não se preocupe, você realmente não precisa de mim — assegurou.

Valentina, que mal conseguia ver, com tudo embaçado e quase sem forças, acabou tropeçando dentro do quarto. Tentou sair, mas a porta estava fechada. Já não tinha consciência de nada. Rendeu-se, exausta, e deixou-se cair na cama.

Verônica escondeu-se num canto. Exatamente nesse momento, apareceu o protagonista. Um homem que, sem saber, fazia parte de seu plano. Ele estivera no bar do hotel, esperando a ligação de um sócio que nunca chegou, e voltou mais cedo para a suíte.

O homem acendeu as luzes e, ao ver uma mulher em sua cama, ficou imóvel. Notava-se que ele também tinha bebido e estava ébrio, o que lhe nublava o julgamento.

Antes que pudesse formular uma pergunta ou chamar a segurança, recebeu uma mensagem de um sócio e amigo.

> Espero que goste do presente. Aproveite muito. Você trabalha demais, precisa relaxar.

>

O homem, com o álcool correndo pelas veias, associou rapidamente a mensagem. Seu amigo fora o causador daquela mulher linda estar ali. Era o "presente" que agora ele tinha o direito de desembrulhar.

Respondeu à mensagem com um sorriso satisfeito: "Meu amigo tem realmente bom gosto".

— Mas nada mais... Esta obra de arte — acrescentou, aproximando-se da cama.

Valentina começou a se mexer, sentou-se e tentou focar a visão, falhando novamente.

— Quem é o senhor?

O homem percebeu que a mulher estava, de alguma forma, sob o efeito de algo. O álcool o tornou imprudente.

— Você é o meu presente, realmente uma grande surpresa. Eu precisava tanto disso — murmurou, enquanto começava a tocá-la.

Valentina, naquele momento, não se reprimiu. Longe de sentir temor, agiu fora de controle, como se precisasse daquilo, incapaz de parar. A droga que Verônica administrara estava surtindo o efeito desejado: fazia-a agir de um modo completamente alheio a ela.

Lançou-se nos braços do homem, enrolando os braços em seu pescoço. Ele a beijou com desespero, afrouxou a gravata, começou a tirar a roupa enquanto fazia o mesmo com o vestido de Valentina.

O desespero era evidente no ar, e foi um presente para Verônica, que assistia a tudo através da gravação ao vivo da pequena câmera que havia colocado no quarto. Estava vendo seu plano resultar com perfeição.

Não satisfeita com a gravação, abriu a porta com sigilo, aproveitando que eles estavam perdidos no ato, e tirou várias fotografias.

— Peguei você, Valentina. Você está acabada — sentenciou Verônica em voz baixa.

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