Capítulo 3 — A Casa Nova

Quando Lauren acordou de manhã, estava sozinha no quarto.

Terminou de se arrumar e desceu as escadas. O Velho  Sullivan estava sentado à mesa do café da manhã lendo o jornal, enquanto a senhora Sullivan a recebeu com um sorriso caloroso.

— Lauren, dormiu bem? Sente-se e coma com a gente.

— Obrigada.

Mal havia se sentado, Lauren viu um menino rechonchudo de uns três ou quatro anos vir correndo em sua direção, abraçar-lhe a perna e sacudi-la com entusiasmo.

— Tia, a noiva! Tia, você é tão linda!

Lauren logo usou a mão para proteger a cabecinha dele, com medo de que ele batesse na quina da mesa.

Isabela Sullivan desceu as escadas logo em seguida.

— Lauren, não se ofenda com ele. Não sei o que é, mas o Guilherme  se apaixonou por você desde ontem. Não para de falar no seu nome. Guilherme, vem comer!

Lauren sorriu e balançou a cabeça, indicando que não se importava. Na verdade, estava mais do que feliz com uma criança tão fofa por perto.

À mesa, Lauren não tinha muito apetite e se contentou com o mingau simples em sua tigela. A senhora Sullivan colocou um pãozinho no  seu prato.

— Lauren, coma mais. Esta é a sua casa agora, não precisa se sentir constrangida.

Lauren sentiu o coração apertar levemente.

— Obrigada, senhora Sullivan.

A senhora Sullivan sorriu.

— Agora que você está casada, já passou da hora de mudar o tratamento, querida.

Lauren hesitou por um instante e disse, com um sorriso tímido:

— Obrigada... mãe.

A senhora Sullivan não conseguiu conter o sorriso que se abriu no rosto.

Do outro lado da mesa, Demétrio olhava para Lauren com um olhar tão frio que ela quase sentiu o ar gelar ao redor. Lauren ignorou e continuou comendo. Nenhum dos dois gostava um do outro — haviam combinado, sem palavras, de se tratar como invisíveis.

Após o café da manhã, Lauren foi diretamente à delegacia.

Já faziam quatro dias inteiros desde o acidente, e o veículo envolvido ainda não havia sido encontrado. Só de pensar nisso, uma ansiedade incontrolável tomava conta dela.

Na delegacia, ela bateu na porta do investigador responsável.

— Senhorita Marone, por favor, sente-se.

— Investigador, há alguma pista sobre o veículo que causou o acidente?

— Ainda não. O motorista foi muito astuto. O acidente aconteceu num ponto cego das câmeras de segurança e não encontramos nenhuma informação útil no local. Inspecionamos o veículo que seus pais dirigiam e não havia sinal de defeito mecânico ou excesso de velocidade. Diante disso, suspeitamos que alguém tenha provocado o acidente de forma deliberada.

Lauren saiu da delegacia e ficou parada na calçada, com as palavras do investigador ecoando na cabeça.

Deliberadamente...

Ela cerrou os punhos com tanta força que as unhas se cravaram na carne, mas não sentiu nada.

Meus pais são pessoas íntegras e bondosas. Nunca ouvi falar de conflito com ninguém. Quem faria uma coisa dessas com a nossa família?

O peito apertou como se alguém espremesse o coração. Lauren ergueu a cabeça para segurar as lágrimas.

Por enquanto, só me resta esperar que mãe acorde.

No hospital, Lauren enxugava delicadamente o braço da mãe com uma toalha úmida.

A mulher deitada na cama estava em coma profundo. A dor havia deixado seu rosto magro e pálido, sem nenhum traço da elegância e graça de antes.

Lauren encostou o rosto nos braços da mãe, a voz saindo rouca e baixa.

— Mãe, você precisa melhorar logo. Não me deixa sozinha.

Os ombros tremiam como os de um gatinho ferido, reprimindo os soluços.

— Quando você sair daqui, eu te levo para um lugar onde ninguém nos conhece. Vamos viver bem, as duas juntas.

Do lado de fora da enfermaria, o Dr. Lucas Menezes  observava pela janela em silêncio. Como médico, sabia muito bem que, no estado em que a mãe de Lauren se encontrava, as chances de recuperação total da consciência eram mínimas.

Ver os entes queridos definharem sem poder fazer nada — talvez seja a coisa mais dolorosa do mundo.

Uma enfermeira apareceu na porta.

— Dr. Lucas, seu telefone está tocando.

— Obrigado.

Ele voltou a passos largos para o consultório e atendeu.

— Oi, Lucas.

Os dois eram grandes amigos. Lucas  era filho do dono da maior empresa farmacêutica de Hastivil, e ele e Demétrio haviam crescido juntos.

Do outro lado da linha, Demétrio estava de pé diante da janela do chão ao teto, olhando para o trânsito lá embaixo.

— Passa no Water Bay Club mais tarde.

— Tudo bem. Ah, aliás — a mãe da sua nova esposa está internada aqui. Você quer vir visitar?

Houve uma pausa.

— O que acontece com ela não tem nada a ver comigo.

— Eu sabia que não devia ter te contado. Minhas boas intenções foram completamente desperdiçadas.

Lucas  desligou e saiu do hospital.

Na boate particular, Demétrio estava sentado numa cadeira com o olhar vazio e gélido.

Valentina estava no chão, ainda tremendo. Ao lado dela, um homem com pés e mãos amarrados havia sido jogado no canto. Demétrio já o conhecia — era Marcelo, o herdeiro do Grupo Reis.

Lucas entrou, viu a cena e sentou-se em silêncio ao lado do amigo, sem dizer uma palavra.

— Me conta como vocês dois se conheceram.

A voz de Demétrio era assustadoramente fria. O casamento do dia anterior havia sido, sem a menor dúvida, uma farsa completa.

— Foi ela! Ela me seduziu! — Marcelo se contorceu, o rosto vermelho de desespero. — Por favor, Demétrio, me deixa ir! A culpa não é minha, é tudo culpa dela!

Demétrio fez um gesto discreto, e seu assistente imediatamente amordaçou Marcelo.

Valentina então explodiu em gritos, como se tivesse enlouquecido.

— Não, não, Demétrio! Foi o Marcelo quem me mandou me aproximar de você! Ele me pediu para investigar a família Sullivan. Era um segredo do grupo. Ele prometeu que, se eu tivesse sucesso, me tornaria a senhora do Grupo Reis. Fui completamente manipulada por ele! Você tem que acreditar em mim!

Enquanto falava, rastejou até ele, tentando agarrar seu pulso.

Demétrio se desviou com um chute seco, afastando-a.

— Saia. Você me dá nojo.

O frio que emanava dele era aterrador. Valentina congelou no lugar.

Lucas  esfregou as mãos e se afastou discretamente.

Valentina é incrivelmente estúpida. Trair Demétrio Sullivan — não há como salvar alguém assim.

— O que você vai fazer? — perguntou Lucas.

Dado o caráter de Demétrio, era óbvio que nenhum dos dois sairia impune.

— Quanto a ela — Demétrio olhou para Valentina —, livre-se da criança e mande-a para o interior. Não quero mais vê-la.

Lucas entendeu: "interior" significava uma região pobre e remota, sem volta.

— Quanto ao Grupo Reis, é uma empresa pequena. Adquira diretamente.

Lucas  assentiu.

Marcelo  se contorceu violentamente, o rosto gordo corado como peixe fora d'água, mas não conseguiu pronunciar uma única sílaba.

O interior? Isso significa que nunca mais vou poder voltar.

Valentina desabou em lágrimas.

— Demétrio, não! Eu imploro, não me manda para um lugar assim!

Ele virou para Marcelo:

— O resto fica com você.

— Pode deixar.

Não era a primeira, nem a segunda vez que Marcelo resolvia situações complicadas. Já tinha bastante experiência nisso.

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