Helena Brandão não dormia bem havia dias.
Não era insônia comum. Era o tipo de vigília forçada de quem sempre controlou o ritmo das coisas e, de repente, já não reconhecia o próprio terreno.
O quarto estava escuro. O relógio marcava três e quarenta da manhã.
Ela virou-se na cama pela terceira vez, irritada, e sentou-se de súbito. O lençol deslizou pelo braço, mas o frio não vinha da temperatura.
Vinha da sensação incômoda de estar sendo observada.
Não por pessoas.
Por consequências.
Helena levantou-se e caminhou até a janela. A cidade dormia. Os prédios, silenciosos. Tudo parecia em ordem — e isso a irritava mais do que o caos.
Desde quando as coisas não respondiam imediatamente?
O celular vibrou na mesinha de cabeceira.
Ela o pegou rápido demais.
Uma mensagem curta de Augusto:
“Os analistas continuam questionando o comitê. Não cedeu.”
Helena fechou os olhos por um instante.
— Eles sempre cedem — murmurou para si mesma.
Mas a verdade era outra.
Pela primeira vez em anos, o sobrenome B