Mundo ficciónIniciar sesión
Alina Vilar parou diante do enorme espelho do ateliê e observou o vestido azul-marinho que usava. Não era um modelo de alta-costura, nem havia custado uma fortuna, mas caía perfeitamente sobre seu corpo. Ela mesma havia feito pequenos ajustes na barra durante a madrugada, entre um restauro e outro das pinturas que precisava entregar.
Passou a mão pelo tecido e sorriu.
Naquela noite, tudo mudaria.
Depois de sete anos de namoro, Gael finalmente a apresentaria oficialmente à família Armani. Não como a garota humilde por quem o herdeiro bilionário havia se apaixonado, mas como sua futura esposa.
O celular vibrou sobre a bancada coberta por pincéis e potes de tinta.
Gael: "Já estou chegando. Não fica nervosa. Minha avó vai adorar você."
Alina riu sozinha.
Respondeu apenas com um coração e guardou o aparelho na bolsa. Conhecia Gael melhor do que qualquer pessoa. Sabia que ele estava ansioso. A família Armani jamais aprovou o relacionamento dos dois. Para eles, uma restauradora de obras de arte, criada pela avó em um pequeno apartamento no centro da cidade, não era digna de carregar o sobrenome deles.
Mas Gael sempre a defendia.
Sempre.
A porta do ateliê se abriu e dona Ester entrou apoiada na bengala. O cabelo branco estava preso em um coque impecável, e o avental florido denunciava que havia abandonado o jantar no meio para ver a neta.
— Você ainda está aqui? Pensei que já tivesse ido.
Alina caminhou até ela e segurou suas mãos.
— Estou esperando o Gael. Ele insistiu em me buscar.
A senhora a observou por alguns segundos antes de ajeitar uma mecha de cabelo atrás da orelha da neta.
— Você está linda. Sua mãe ficaria orgulhosa.
Os olhos de Alina se encheram de lágrimas.
— A senhora acha mesmo que eles vão me aceitar?
Dona Ester soltou um suspiro baixo.
— Eu acho que um homem que ama uma mulher enfrenta o mundo por ela. Se esse rapaz realmente merece você, a opinião da família dele não vai importar.
A buzina de um carro ecoou na rua.
Alina se inclinou e beijou a testa da avó.
— Vou voltar tarde. Não me espera acordada.
— Eu só vou dormir quando ouvir você abrir aquela porta.
Ela saiu do ateliê com o coração acelerado. Do outro lado da rua, um sedã preto luxuoso estava estacionado. Gael desceu assim que a viu.
Alto, elegante e impecavelmente vestido, ele abriu um sorriso que ainda tinha o poder de desarmá-la.
— Você está deslumbrante.
— Está dizendo isso porque me ama.
— Não. Estou dizendo porque é verdade.
Ele segurou sua mão e depositou um beijo delicado em seus dedos.
— Pronta?
— Acho que nunca vou estar.
Gael abriu a porta do carro para ela.
Durante o caminho, tentou distraí-la contando histórias sem importância sobre reuniões da empresa e discussões entre os executivos do Grupo Armani. Alina fingia ouvir, mas sua mente estava ocupada imaginando como seria conhecer a família que, durante sete anos, a manteve à distância.
O carro atravessou os portões de uma das mansões mais impressionantes da cidade.
Jardins impecáveis, fontes iluminadas e dezenas de carros importados ocupavam a entrada principal.
Alina franziu a testa.
— Achei que seria apenas um jantar.
Gael desviou o olhar.
— Minha avó resolveu transformar a noite em uma pequena recepção. Nada demais.
Nada demais.
Havia jornalistas na entrada.
Fotógrafos.
Empresários conhecidos.
Mulheres usando joias que provavelmente custavam mais do que o apartamento onde ela morava.
Ela apertou a mão de Gael.
— Tem certeza de que eu deveria estar aqui?
Ele sorriu.
— Você pertence a este lugar mais do que imagina.
Assim que entraram, um mordomo anunciou a chegada dos dois. Algumas pessoas se viraram para observá-los. Alina tentou ignorar os cochichos e os olhares curiosos.
Foi então que percebeu uma mulher parada no centro do salão.
Alta, deslumbrante, usando um vestido branco bordado à mão. Os cabelos dourados caíam sobre os ombros, e o sorriso confiante parecia dizer que ela era a dona daquele lugar.
A mulher caminhou na direção deles.
Mas não parou diante de Alina.
Parou diante de Gael.
E, sem qualquer hesitação, envolveu o pescoço dele com os braços.
— Você demorou — disse ela, antes de beijá-lo no rosto com intimidade.
Alina congelou.
Olhou para Gael, esperando que ele a afastasse. Que dissesse quem ela era. Que explicasse aquele absurdo.
Mas ele apenas permaneceu em silêncio.
— Gael... — a voz de Alina saiu quase como um sussurro. — Quem é ela?
Antes que ele pudesse responder, uma senhora elegante desceu a escadaria principal. O salão inteiro ficou em silêncio.
A matriarca dos Armani abriu um sorriso satisfeito e ergueu uma taça de champanhe.
— Senhoras e senhores, agradeço a presença de todos nesta noite tão especial. Depois de tantos anos de espera, minha família finalmente tem a honra de anunciar a união entre meu neto, Gael Armani... e a adorável Serena Bastos.
O mundo de Alina parou.
Os aplausos ecoaram pelo salão como golpes.
Ela olhou para Gael, incapaz de compreender.
— O que ela está dizendo?
Ele continuava imóvel.
— Gael... fala comigo.
Serena segurou a mão dele e exibiu, diante de todos, um anel de diamantes que brilhava sob as luzes do lustre.
— Acho que ela ainda não sabe.
Alina sentiu o coração disparar.
— Não sei... o quê?
Serena inclinou a cabeça, analisando-a com um sorriso quase piedoso.
— Que você nunca foi a noiva dele.
Você era apenas a aposta.







