A MENTIRA QUE DESTRUIU MEU CASAMENTO
A MENTIRA QUE DESTRUIU MEU CASAMENTO
Por: Tônia Fernandes
####PRÓLOGO

A MENTIRA QUE DESTRUIU MEU CASAMENTO

MARY ROSE

Dediquei toda a tarde à preparação de um jantar especial, desejando que cada detalhe estivesse perfeito.

—Não era um dia comum; seria o dia em que celebraremos nosso primeiro aniversário de casamento e minha felicidade era avassaladora, como um doce sonho realizado.

—Com cuidado, arrumei a mesa, acendi as velas e escolhi o vestido que Vincent sempre elogiava, um modelo que realçava minha silhueta e refletia todo o amor que sentia por ele.

Porém, eu havia preparado uma surpresa ainda maior planejada para a noite: a espera de nosso primeiro filho.

—Coloquei a mão sobre meu ventre, que ainda era plano, e sorri com a alegria que me invadia ao pensar que estava esperando um bebê - cinco semanas de gestação.

Essa notícia era a maior demonstração de amor que eu poderia oferecer a ele, um presente que simbolizava o nosso futuro juntos.

—Quando ouvi o carro de Vincent se aproximando da mansão, meu coração acelerou como se estivesse em uma montanha-russa.

Tentei controlar a ansiedade respirando fundo enquanto ia até a entrada para recebê-lo, sentindo o frio na barriga da expectativa.

— Ele entrou, retirando o paletó, aparentando estar cansado após um dia cheio de desafios, mas seu olhar tinha um toque de curiosidade.

— Como foi o seu dia amor? — perguntei, observando-o passar a mão nos cabelos castanho claros e soltar um suspiro de alívio, como se a minha presença fosse um bálsamo para seu cansaço.

— Cansativo, mas produtivo— respondeu ele, e eu me aproximei para ajeitar sua gravata com um sorriso, tentando dissipar o estresse que ele carregava.

—Mas hoje, tudo vai valer a pena.

Ele franziu a testa ligeiramente, curioso, como se sentisse que havia algo especial no ar.

— Por quê? — indagou, e seus olhos se suavizaram quando a realização o atingiu, como uma luz que se acende na escuridão.

— Porque celebramos nosso primeiro ano de casamento, — concordei, enquanto pegava um pequeno envelope branco que estava sobre a mesa e o entregava a ele.

— Antes de você ver qualquer outra coisa, abra esse primeiro.

Ele abriu o envelope e retirou o papel, e eu pude testemunhar o momento em que a compreensão tomou conta de seus olhos.

— Mary, você está … — a emoção sufocou sua voz, e eu sorri, sentindo lágrimas prestes a escorregar.

— Feliz aniversário de um ano de casados, — declarei com um sorriso largo.

Desfez-se em um abraço apertado, transbordando de emoção.

— Você está grávida, nós vamos ter um bebê?

— indagou, com um brilho de esperança nos olhos.

— Afirmativo, — respondi, meu coração acelerando com a alegria da revelação.

— Meu Deus… eu vou ser pai! — Nós vamos ser pais, — confirmei, enquanto ele me envolveu novamente em seus braços, e por um instante, a sensação era de que tudo no mundo estava em perfeita harmonia.

Foi então que ele percebeu um segundo envelope sobre a mesa.

— Era de papel pardo e não tinha identificação. Vincent pegou o envelope e indagou:

— O que é isso? — perguntei, confusa.

— O segurança comentou que alguém deixou no portão mais cedo.

— Mas não há nome, — observou Vincent, olhando para o envelope.

Ele então abriu o envelope, e as fotos deslizaram pela mesa.

Vincent permaneceu em silêncio por alguns segundos, fixando o olhar nelas como se estivesse tentando compreender o que via.

— E finalmente, levantou os olhos devagar em minha direção.

— O que é isso, Mary, quem é esse homem? — indagou ele, sua voz carregada de incerteza.

Eu peguei uma das fotos e meu coração disparou.

Era uma imagem de mim abraçada a um homem, um momento que eu não reconhecia, mas que me fez sentir uma rejeição profunda.

—Em outra, eu estava rindo, a alegria em meu rosto contrastando com a confusão que eu sentia agora.

E em uma terceira, ele me beijava na boca, enquanto dançávamos, um gesto de carinho que parecia tão distante de mim. Imediatamente, balancei a cabeça, tentando afastar o que via.

— Eu não conheço esse homem — disse, com firmeza.

Vincent me olhou com uma expressão que eu nunca tinha visto antes, um misto de perplexidade e desconfiança, como se estivesse tentando juntar as peças de um quebra-cabeça confuso.

— Como você não conhece? — questionou ele, incrédulo, sua voz tremendo com a nova realidade que as fotos apresentavam.

— Eu nunca vi essa pessoa na minha vida — afirmei, a angústia crescendo em meu peito, um peso que parecia impossível de suportar.

—A insegurança me dominava enquanto tentava me manter firme.

— Você está abraçando ele nessas fotos!

— Eu não entendo, Vincent, é uma mentira.

—Não tenho lembranças dessa cena, é como se fosse uma outra vida.

Ele retirou um pequeno bilhete do envelope, um gesto que fez meu coração gelar ainda mais.

— Há mais uma coisa aqui, ele leu em voz alta: — “Feliz aniversário, Vincent, abra os olhos antes que seja tarde demais.”

Um frio percorreu meu corpo. — Não acredite nessas imagens, é tudo uma armação.

Vincent continuou a observar as fotos, como se cada uma delas fosse uma evidência contra mim.

—Então, levantou os olhos e questionou, com uma frieza que me fez sentir como se o chão tivesse sumido sob meus pés:

— Você tem certeza de que esse filho é meu?

Surpresa, olhei para ele sem acreditar.

— Você não pode estar dizendo isso.

— Depois de ver essas fotos? —

Vincent, olhe para mim, por favor, eu não conheço esse homem.

—Ele passou a mão pelo rosto, visivelmente irritado, e sentenciosamente declarou:

— As imagens não mentem.

— Isso é uma mentira, por favor me olha, eu te amo!

— Eu quero o divórcio.

Essas palavras ressoaram pela sala de jantar como um eco sombrio, carregado de um significado devastador.

— Vincent, vamos conversar, tentar descobrir que enviou esses fotos.

— Já disse que quero o divórcio Mary, não tem desculpas,essas provas são reais.

As lágrimas começaram a escorrer, mas eu me recusei a implorar.

— Eu não fiz nada, juro por tudo que é mais sagrado, você sabe que eu antes de você, nunca estive com outro homem!

Ele desviou o olhar, decidido, reforçando sua determinação.

— Eu não quero explicações, estou vendo a verdade aqui.

Respirei fundo, tentando conter a dor que parecia rasgar meu peito.

— Tudo bem, Vincent, pode providenciar o divórcio.

Ele me encarou, surpreso, como se esperasse a minha resistência, coisa que jamais eu faria.

— Eu não vou implorar, que acredite em mim, pois sei que nunca te trai— declarei, com a voz firme, apesar das lágrimas.

Peguei as fotos da mesa e, com um último olhar de despedida, disse: — Mas lembre-se de uma coisa, Vincent: no dia em que você descobrir a verdade, pode ser tarde demais, eu sei que alguém enviou esse envelope para me destruir, mas você não acreditou em mim.

Subi as escadas e fui para o meu quarto, onde preparei uma mala com as roupas mais simples que ainda guardava desde antes do casamento — aquelas que representam um tempo em que eu era eu mesma, livre e sem a pressão das expectativas de Vincent.

—Juntei meus documentos e deixei para trás todas as lembranças que Vincent havia me dado, todos os presentes se transformando em um peso que eu não tinha mais coragem de carregar.

Ao descer novamente, encontrei Vincent ainda sentado à mesa, absorto nas fotos que destruíram minha vida, e tudo entre nós.

— Quando os papéis do divórcio estiverem prontos, entregue-os para Natalie, ela me entregará.

Vincent levantou o olhar, surpreso com a firmeza nas minhas palavras.

— Adeus, Vincent, a verdade vai aparecer, e espero que não demore, saiba que você me destruiu hoje.

Com isso, saí da casa sem olhar para trás, um ato simbólico de libertação.

—Uma hora depois, estava em frente à porta do apartamento de Natalie.

Quando ela abriu e me viu com a mala, sua expressão mudou rapidamente de surpresa para preocupação.

— Mary, o que aconteceu, o que você está fazendo aqui com essa mala? — ela perguntou, quase implorando por respostas.

— Posso ficar aqui por alguns dias Naty? Não tenho para onde ir.

Ela me puxou para dentro, sua preocupação evidente.

— Claro que pode, mas que está acontecendo?

Respirei fundo antes de responder, com coração em pedaços.

— Vincent pediu o divórcio, Naty, eu saí de casa.

Ela levou a mão ao rosto, chocada com a notícia.

— O que aconteceu?

Vincent viu algumas fotos e concluiu que eu estava traindo ele.

Natalie balançou a cabeça, indignada. — Isso é um absurdo, não acredito que Vincent acreditou.

—Nesse exato momento, a porta do apartamento se abriu e Iago entrou, interrompendo o turbilhão de emoções no ar.

— Naty, eu, tenho novidades..— Iago parou ao me ver, a confusão estampada no rosto.

— Mary, saudades menina?

O que aconteceu? — perguntou, claramente preocupado com a minha expressão.

Natalie respondeu antes de mim, tentando transmitir a gravidade da situação.

— Vincent pediu o divórcio, hoje, e Mary não tem para onde ir, vai ficar aqui comigo.

Iago arregalou os olhos em surpresa, ainda sem compreender o que estava acontecendo.

— Como assim, não estou entendendo nada, me explica? — perguntou ele, visivelmente chocado.

Passei a mão pelo rosto antes de explicar:

— Ele recebeu algumas imagens minhas com um homem que eu nunca vi antes, nem sei de onde surgiu essas imagens.

Iago se aproximou, transmitindo apoio.

— Eu sei que você jamais faria algo assim, te conheço desde menina, você nunca namorou, apesar de ser linda.

Respirei fundo, tentando encontrar as palavras.

— Agora, eu realmente preciso arrumar um emprego.

—Levei a mão ao meu ventre, as palavras se formam na minha mente.

— Porque eu estou grávida, no dia que completo um ano de casada, meu marido pede o divórcio.

Natalie ficou paralisada, incapaz de acreditar no que acabara de ouvir.

— Você está grávida? Parabéns minha linda— questionou, seu olhar cheio de incredulidade.

— Cinco semanas — respondi, a realidade pesada em meu peito.

Iago se calou por alguns segundos, como se processasse a nova informação, depois, com uma expressão decidida, disse:

— Eu vim aqui para te dar uma notícia, ótima para mim Naty, nem imaginei encontrar a Mary aqui.

— Que notícia, conta logo? — indagou Natalie, ainda em choque.

— Eu vou para Paris, em duas semanas, o Renan está super feliz.

Olhei para ele, surpresa e intrigada.

— Em Paris? — repeti, esperando por mais detalhes.

— Sim, um estilista me contratou para trabalhar em seu ateliê.

Ele vai me fornecer um apartamento com três quartos.

Iago me olhou com seriedade, como se estivesse fazendo uma proposta importante.

— Se você quiser… pode vir comigo, você já concluiu sua faculdade em hotelaria, fala três idiomas, inclusive o francês.

Meu coração disparou com essa possibilidade.

— Eu consigo um emprego para você lá — proferiu, cheio de confiança.

Respirei fundo antes de responder, meu pensamento está correndo.

A magnitude da proposta de Iago me atingiu, mas havia um entrave: — Eu só preciso assinar o divórcio primeiro, espero que não demore.

Naquele momento, eu sentia a urgência de agir, mesmo que tudo parecesse incerto.

— Viajo em duas semanas para lá, e se você quiser pode ir comigo.

A revelação fez meu coração acelerar ainda mais.

— Você tem passaporte, e está válido?

— perguntou, como se fosse uma formalidade.

Assenti, um misto de ansiedade e esperança misturado em meu peito.

— Tenho sim, está em ordem, pois minha lua de mel foi nas Maldivas.

Iago sorriso de Iago era contagiante, e havia um brilho nos olhos dele que me deixava intrigada e animada ao mesmo tempo.

— Então, se prepare, dentro de duas semanas… nós vamos embora para Paris.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
capítulo anteriorpróximo capítulo
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App