No começo, foi por necessidade.
Depois, virou rotina.
Aurora apareceu na porta do meu quarto na terceira noite seguida. Não chorava alto, não fazia drama. Apenas ficava ali, com o travesseiro apertado contra o peito, como se estivesse pedindo permissão para existir fora dos próprios medos.
— Posso ficar um pouquinho? — ela perguntou.
O “pouquinho” durou até o amanhecer.
Eu me afastei para o lado da cama, abrindo espaço sem dizer nada. Ela subiu devagar, como se tivesse medo de incomodar, e se a