Eu decidi que precisava criar distância.
Não foi uma decisão dramática. Não houve anúncio interno nem promessa solene diante do espelho. Foi algo mais frio, mais racional, quase clínico. Um ajuste de rota necessário para que tudo não se misturasse de forma irreversível.
Porque estava se misturando.
Eu acordava pensando em Aurora antes mesmo de abrir os olhos. Calculava horários, refeições, remédios, humores. E, sem perceber, pensava em Henrico logo depois. No tom de voz dele na noite anterior.