POV – Alessandro
A mansão ficava afastada do centro, escondida atrás de muros altos cobertos por heras antigas. Roma cresceu ao redor dela, mudou, se reinventou inúmeras vezes — mas aquele lugar permanecia. Um relicário vivo de tudo o que eu fui… e do que ainda era.
O carro passou lentamente pelo portão de ferro, que se abriu em silêncio absoluto, reconhecendo minha presença antes mesmo do motorista reduzir a velocidade. Quando o veículo parou diante da entrada principal, o peso do dia finalmente se acomodou sobre meus ombros.
Eu estava em casa.
Desci do carro ajustando o blazer, sentindo o ar noturno tocar meu rosto. A lua ainda não tinha subido completamente, mas sua presença já se insinuava no céu, como um lembrete constante de quem eu realmente era.
Antes mesmo de entrar, eu senti.
Batidas de coração conhecidas. Presenças atentas. Expectativa.
Eles sabiam que eu tinha voltado.
A porta se abriu antes que eu tocasse na maçaneta. Luca estava ali, postura firme, cabelo