Não havia charme, nem artifício, nem tentativa de agradar. Só sinceridade — e sinceridade, para ele, sempre foi o golpe mais perigoso.
“Estou gostando de você.”
Ele sentiu o peso exato dessas palavras. Não doía — mas abria, em algum ponto interno, uma fissura que ele nunca permitia.
E então veio a segunda parte:
“Mas isso não é algo bom.”
O maxilar dele contraiu antes que conseguisse impedir.
Quando finalmente respirou, a voz saiu mais baixa, mais firme, mais perigosa.
— Por que não?
Ela hesito