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Capítulo 5 — Entre o Silêncio e o Despertar

Valentina não soltou a mão dele.

Mesmo depois de longos segundos.

Mesmo depois de não haver mais nenhum movimento.

Ela continuou ali, os dedos entrelaçados aos dele, como se tivesse medo de que, ao soltar, aquilo desaparecesse.

— Eu sei que você mexeu — sussurrou, quase como se estivesse contando um segredo.

Seu coração ainda batia rápido.

Ela não era médica.

Não entendia de monitores ou reflexos involuntários.

Mas aquilo…

Aquilo não tinha parecido involuntário.

Ela respirou fundo e apertou levemente a mão dele.

— Se você estiver me ouvindo… — murmurou — tenta de novo.

O silêncio respondeu.

O monitor manteve o mesmo ritmo.

Bip.

Bip.

Bip.

Valentina abaixou o olhar, sentindo uma mistura de expectativa e frustração.

— Ok… talvez eu esteja pedindo demais.

Ela deu um pequeno sorriso para si mesma.

Mas não soltou a mão dele.

Ficou ali, em silêncio, por alguns minutos.

Até que a porta se abriu.

Valentina ergueu o olhar rapidamente.

Uma enfermeira entrou, seguida por um médico de expressão séria.

— Senhorita Montenegro — disse a enfermeira, com um leve sorriso profissional. — Precisamos fazer alguns exames de rotina.

Valentina assentiu, levantando-se devagar.

Mas antes de soltar a mão dele…

Ela hesitou.

Seus dedos apertaram levemente os dele uma última vez.

Então soltou.

Deu alguns passos para trás, observando enquanto os profissionais se aproximavam da cama.

O médico começou a verificar os sinais vitais, analisando os monitores com atenção.

— Houve alguma mudança? — perguntou ele, sem olhar diretamente para ela.

Valentina engoliu em seco.

— Eu… acho que ele mexeu a mão.

O médico parou por um segundo.

A enfermeira também.

Os dois trocaram um olhar rápido.

— Tem certeza? — perguntou o médico.

Valentina hesitou.

Por um instante.

Mas então assentiu.

— Sim.

O médico se aproximou mais da cama, pegando a mão de Leonardo.

Observou com atenção.

Testou reflexos.

Pressionou levemente.

Nada.

Nenhuma reação.

Ele soltou a mão com cuidado.

— Pode ter sido um reflexo involuntário — disse, de forma neutra.

Valentina sentiu um leve aperto no peito.

— Mas… isso significa alguma coisa?

O médico olhou novamente para os monitores.

— Significa que o corpo dele ainda responde a estímulos.

Ele fez uma pequena pausa.

— O que… não é ruim.

Não era uma confirmação.

Mas também não era uma negação.

Valentina assentiu lentamente.

A enfermeira sorriu de forma gentil.

— Às vezes, pacientes em coma apresentam pequenas respostas antes de acordar.

Aquilo fez o coração dela bater mais forte.

— Então… ele pode acordar?

O médico a encarou.

— Ele sempre pôde.

Mas a forma como ele disse aquilo…

Era cautelosa.

Realista.

Como se já tivesse visto muitos casos que não terminaram bem.

Valentina abaixou o olhar.

— Entendo.

Os exames continuaram.

E depois de alguns minutos, o médico se afastou.

— Qualquer nova mudança, nos informe imediatamente.

— Claro.

Eles saíram do quarto.

E o silêncio voltou.

Valentina ficou parada por alguns segundos.

Então caminhou novamente até a cadeira.

Sentou-se.

Olhou para ele.

— Reflexo involuntário… — murmurou.

Ela inclinou a cabeça.

— Não pareceu isso pra mim.

Seus olhos suavizaram.

— Mas… se for verdade que você está tentando voltar…

Ela hesitou.

Seu coração apertou levemente.

— Eu vou estar aqui.

O silêncio permaneceu.

Mas dessa vez…

Ele parecia diferente.

Menos vazio.

Menos distante.

Valentina respirou fundo.

— Eu vou te contar uma coisa.

Ela se ajeitou na cadeira.

— Hoje eu fui na empresa.

Ela começou a falar.

Sobre o escritório.

Sobre a fotografia.

Sobre Gabriel.

— Seu irmão é assustador.

Ela riu baixinho.

— Ele praticamente me ameaçou.

Seus olhos voltaram para o rosto dele.

— Mas ele acredita em você.

Ela fez uma pausa.

— Ele tem certeza de que você vai acordar.

Silêncio.

Valentina apoiou o queixo na mão.

— Então… acho que você deveria ouvir ele.

Ela sorriu de leve.

— E me poupar de ter que lidar com ele sozinha.

Os minutos passaram.

O sol começou a mudar de posição, iluminando o quarto de forma diferente.

Valentina olhou para as mãos dele novamente.

Hesitou.

E então…

Segurou sua mão outra vez.

Dessa vez, com mais firmeza.

Mais certeza.

— Volta, Leonardo.

A voz saiu mais baixa.

Mais sincera.

— Porque… eu não quero ser apenas uma estranha na sua vida.

O monitor continuava estável.

Mas dentro dele…

Algo já não estava mais parado.

E, pela primeira vez desde o acidente…

Leonardo Montenegro estava lutando para voltar.

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