A sala da Dra. Fernanda era sempre do mesmo jeito: luz natural, dois poltronas confortáveis, uma planta no canto, um silêncio que convidava a falar.
Clara havia retomado as sessões há algumas semanas. No início, eram sobre a amnésia, sobre os flashes, sobre o processo de reconstrução de memória. Aos poucos, foram ficando sobre outra coisa.
— Eu quero falar de uma coisa que ainda não falei com ninguém — Clara começou, cruzando as pernas na poltrona.
— Estou aqui — a Dra. Fernanda respondeu, com