Início / Romance / A Esposa Abandonada do Bilionário / O homem em quem ela não conseguia parar de pensar.
O homem em quem ela não conseguia parar de pensar.

“Você nunca me disse o nome dele.”

Bianca ergueu os olhos do formulário de autorização que estava assinando. Kemi estava parada na porta da cozinha com uma xícara nas duas mãos e aquela expressão específica que fazia quando vinha segurando uma pergunta havia mais tempo do que era confortável.

“Nome de quem,” Bianca disse.

“O homem da esquina. Três meses atrás. Você disse que tinha esbarrado em alguém depois do restaurante, e eu deixei passar porque você ainda estava machucada.” Kemi inclinou a cabeça. “Não vou mais deixar passar.”

Bianca pousou a caneta. “Não há nada para deixar passar.”

“Você já foi àquela fundação três vezes agora, e toda vez que volta parece alguém que acabou de correr uma corrida que nem sabia que tinha se inscrito.” Kemi se sentou à frente dela sem ser convidada. “Isso não é nada.”

“É complicado.”

“Tudo com você é complicado. Descomplica.”

Bianca olhou para a irmã. Kemi tinha estado lá na noite do restaurante, sentada duas mesas adiante quando Daniel deslizou os papéis sobre a toalha de mesa, perto o bastante para ver o rosto de Bianca, mas longe demais para fazer alguma coisa a respeito. Nunca, nem uma vez nesses meses, tinha pedido para Bianca ficar bem antes de estar pronta. Mas essa paciência tinha um limite, e as duas sabiam disso.

“O nome dele é Ethan,” Bianca disse. “Ethan Harlow. Ele comanda a fundação.”

A xícara de Kemi parou no meio do caminho até a boca. “O homem da esquina é o diretor do programa em que a Zoe acabou de ser aceita.”

“Sim.”

“O mesmo homem cuja irmã te ligou na mesma noite em que você o conheceu.”

“Sim.”

“Bianca.” Kemi pousou a xícara com muito cuidado, do jeito que pousava as coisas quando estava escolhendo as próximas palavras. “Isso é a melhor ou a pior coisa que eu já ouvi.”

“Eu também ainda não decidi.”

“Você gosta dele?”

“Eu não o conheço.”

“Não foi isso que eu perguntei.”

Bianca pegou a caneta de volta e olhou para o formulário sem ler. Pensou no corredor da última quinta-feira. No jeito que ele tinha dito o nome dela, e ela se virara, e ele estava mais perto do que ela esperava, e nenhum dos dois se mexeu, e o ar entre eles ficara tão carregado que ela ainda conseguia sentir o peso disso três dias depois.

“Ele lembrou do meu nome,” ela disse por fim. “Da esquina. Três meses atrás, uma conversa só, e ele disse do jeito que quem tivesse guardado o tempo todo.” Ela fez uma pausa. “Ninguém dizia meu nome assim fazia muito tempo.”

Kemi ficou quieta por um momento. Depois, suavemente, “Bianca.”

“Não.”

“Só estou dizendo o nome.”

“Eu sei o que você está fazendo, e estou te dizendo para parar.” Mas alguma coisa no peito dela já tinha se movido, e as duas sabiam disso.

O celular dela vibrou na mesa entre elas. Ela olhou para a tela e o corpo inteiro ficou imóvel.

Ethan.

Não era uma ligação. Era uma mensagem. Curta, direta, exatamente do jeito que ele fazia tudo.

A Zoe deixou o casaco amarelo aqui depois da sessão de quinta. Está guardado no meu escritório. Me avisa se quiser que eu deixe em algum lugar ou se você vai passar por aqui.

Simples. Prático. Completamente razoável.

Ela leu três vezes.

“Quem é,” Kemi disse, lendo o rosto dela.

“O Ethan. A Zoe esqueceu o casaco na fundação.”

Kemi se inclinou para olhar a tela, mesmo Bianca não tendo mostrado. “Ele te mandou mensagem pessoalmente em vez de mandar alguém do programa ligar.”

“Ele é o diretor. Provavelmente cuida de tudo diretamente.”

“Ele tem uma equipe, Bianca. Diretores não mandam mensagem pessoalmente para mães sobre casacos esquecidos.” Kemi se recostou com a expressão de uma mulher que acabou de ganhar uma discussão que nem tinha começado. “Responde para ele.”

“Eu ia responder.”

“Agora. Enquanto estou aqui.”

Bianca pegou o celular. Digitou: Obrigada por avisar. Posso passar amanhã de manhã se funcionar para você. Releu. Apagou as últimas quatro palavras. Digitou de novo. Enviou antes que pudesse mudar de ideia.

A resposta veio em menos de um minuto.

Amanhã funciona. Estarei aqui a partir das oito. Vem quando for melhor para você e para a Zoe.

E depois, após uma pausa de dois segundos, outra mensagem.

Como ela está? Pareceu mais quieta que o normal no final da última sessão.

Bianca encarou a tela. Ele tinha reparado. Numa sala cheia de crianças, pais e coordenadores do programa, ao longo de quarenta minutos de atividade estruturada, ele tinha reparado que Zoe estava mais quieta que o normal no final.

Daniel nunca, nem uma vez em dez anos, tinha reparado quando Zoe estava mais quieta que o normal.

A garganta dela apertou de um jeito para o qual ela não estava preparada.

Ela digitou: Ela está bem. Fica assim às vezes depois das sessões. Processando, como a terapeuta dela chama. Uma pausa. Depois acrescentou: Obrigada por reparar.

A resposta dele: Ela é fácil de notar. Sua filha é extraordinária.

Kemi, que vinha lendo cada mensagem por cima do ombro dela sem fingir que não estava, fez um som que não era bem uma palavra.

“Para,” Bianca disse.

“Eu não disse nada.”

“Você fez um som.”

“Foi um som involuntário.” Kemi pegou a xícara. “O homem acabou de chamar sua filha de extraordinária numa mensagem de texto às nove da noite de uma segunda-feira. Tenho direito a um som involuntário.”

Bianca pousou o celular com a tela para baixo na mesa. O coração dela estava fazendo aquela coisa que ela vinha dizendo para ele não fazer, aquela coisa quente e instável específica que parecia estar na beira de algo alto, olhando para baixo e não sentindo o medo que deveria sentir.

Ela sentia medo. Só ainda não o suficiente.

“Não transforma isso em alguma coisa,” ela disse a Kemi.

“Não estou transformando nada. Só estou sentada aqui olhando você se esforçar muito para não sorrir para o celular.” Kemi se levantou e levou a xícara até a pia. “Quando foi a última vez que alguém te fez tentar não sorrir?”

Bianca não respondeu porque a resposta era tempo demais atrás para dizer em voz alta sem que significasse alguma coisa.

Kemi beijou o topo da cabeça dela a caminho da saída da cozinha. “Vai dormir. Você vai à fundação amanhã de manhã.”

Ela saiu antes que Bianca conseguisse responder. Ada teria desligado na cara. Kemi simplesmente saiu andando. Mesmo resultado.

Bianca ficou sozinha na cozinha por um tempo. Depois pegou o celular e releu as mensagens, só mais uma vez, só para ter certeza de que não tinha imaginado o tom delas.

Não tinha imaginado.

Virou o celular com a tela para baixo de novo e terminou de assinar o formulário de autorização.

Amanhã de manhã. Oito horas. Ela ia buscar um casaco amarelo e voltar direto para casa, e era só isso que aquilo ia ser.

Ela quase acreditou.

O celular dela vibrou mais uma vez. Ela virou.

Não era o Ethan.

Era um número que ela não reconhecia. Sem nome. Sem saudação. Só uma fotografia e quatro palavras embaixo dela que fizeram o calor no peito dela desaparecer completamente.

A fotografia era do Ethan. Parado do lado de fora do que parecia ser um tribunal três anos atrás, o rosto tenso e ilegível, uma mulher ao lado dele que Bianca não reconhecia.

As quatro palavras embaixo diziam: Pergunta a ele sobre a Rosalind.​​​​​​​​​​​​​​​​

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App