Mundo de ficçãoIniciar sessão— Comigo será diferente. Com ele foi —falou olhando para o amigo deitado na cama— Ele amou tanto a Sarah, que salvou ela sem se importar com sua própria vida.
— Ele não puxou isso de mim. Como pode fazer uma estupidez dessa? — Por amor senhor Ford . Eu também faria. No dia seguinte, Gustavo ficou esperando por Yelissa no mesmo lugar de sempre, mas ela simplesmente não apareceu. Dias se passaram e nenhuma novidade dela. E não sabia como entrar em contato com ela, nem conhecia onde ela vivia. — Estás muito ansioso, não? —perguntou Clara. Que acabava de dar os últimos retoques na mesa do elegante restaurante— Essa sua fantasia está indo longe demais, não acha? Ela é uma criança. Deu para virar pedófilo agora? — Eu não fiz nada com ela. — Por enquanto. Mas tenho certeza que não é porque quis. Virgens são sempre mais cautelosas — medrosas. —Eu pedi ela em namoro…— disse direto. — Você ficou louco? Isso é crime. — É! Eu sei. E ela não aceitou. Fica tranquila— tomou um gole na sua bebida que estava na mão. Girava a taça de vinho de forma quase desleixada— Ela não é tão ingênua como parece. — Pelo menos isso ne. E mesmo assim seus pais. Nunca aceitariam uma empregada ao teu lado. Tens um patrimônio a zelar, uma empregada faria o quê do seu lado? Faxina na empresa? — Sempre foste assim? Tão…— ele fez uma pausa longa procurando a palavra certa— presunçosa. Ela riu-se. — Ninguém melhor do que eu para ti meu amor. Nossas famílias já decidiram— disse perto do ouvido dele. — Fica longe de mim… sua doida. O momento do jantar começou. Gustavo não parava de olhar para porta e para o relógio. Era bem notório quando alguém passasse, a parte frontal do restaurante era todo vidrado. — Ela não vem. Aposto que nem deve ter nada para vestir— disse Amber. — Ela disse que viria. — Disse mesmo? “Ela não disse! Mas eu espero mesmo que ela venha. Eu preciso ver ela.” Yelissa estava parada olhando para o vestido que fizera para usar naquela noite. Ele estava no cabide, pendurado na parede. E ela abraçando os joelhos, sentada no chão. Noah que brincava com a bebê, olhou para ela, sentiu que algo a incomodava. Mesmo que não dissesse. — Ele não vai entrar no seu corpo como que por magia— disse ele. — Eu sei. — É o seu novo amigo? — É! — E está esperando o quê? Ela suspirou. — É complicado. — Adultos costumam complicar as coisas. Se gosta dele, fica com ele. Tem coisa mais simples que isso? Yelissa olhou para o menino. Sorriu da sua sinceridade. — Não é simples assim! — olhou outra vez para o vestido— Não se luta contra a maré. Nunca se vence depois disso. No restaurante. Durante as conversas entre amigos e sorrisos. O som de sapatos no piso ecoa. Apesar das gargalhadas e música suave, Gustavo olha para cima e vê a Yelissa entrando. Num vestido simples e florido. Cabelo preso em uma presilha e duas madeixas soltas a frente. Não era um grande preparo, mas ela estava linda. — Boa noite a todos — disse baixo, quando parou diante da mesa e todos ficaram olhando para ela. Amber revirou os olhos, e Clara tomou sua taça de vinho, recostando-se na cadeira. — Você veio— disse Gustavo, sorriu genuinamente para ela. — Eu quis desejar um feliz aniversário pra você— disse entregando uma caixinha para ele. Mas Amber, recebeu antes dele. — Isso é para mim! O que acha que está fazendo? — perguntou irritado com a prima. — Quero ver o que é isso! — tentava se desviar as tentativas de receber de Gustavo. — Não! — pegou a pequena caixa das mãos dela finalmente— É falta de educação abrir um presente que não te pertence. Ela bufou. — Sai daqui— disse para prima. — Como? — Ela é minha convidada especial. Precisa se sentar ao meu lado. Amber revirou os olhos e saiu do lugar, se sentou ao lado de Clara, que estava bem a frente de Gustavo. Um dos seus amigos que não tirava os olhos de Yelissa perguntou. — Quem é ela Gustavo? Após ela se sentar, Gustavo tirou o colar do seu bolso. Olhou para ela. — Eu fiz isso para você…— poderia fazer as honras? Ela assentiu. Levantou o cabelo e virou-se de costas para ele. Colocou o colar nela. O brilho dos seus olhos verdes combinavam bem com aquela pedra de diamante minimalista. — Nossa! Já ganha presentes personalizados… foi rápida a dar o golpe. — Amber! — chamou ele— mais um comentário desses, eu te expulso daqui. Ela bufou. Clara segurou levemente em suas mãos. — Abra o presente …— disse uma das amigas dele. Yelissa sorriu. Embora também tivesse ganho um presente, aparentemente muito mais caro, não se envergonhava do seu. — Isso é? — perguntou Amber— Uma pulseira de amizade? — parecia incrédula. — Ele acabou de dar um colar com diamante personalizado e você dá a ele uma pulseira da amizade e ainda artesanal? Yelissa não olhou para quem falava, seus olhos continuaram em Gustavo. Afinal o presente era para ele, mas diferente de todos eles. Gustavo mostrava satisfação pelo presente. — Foi o melhor presente que eu já recebi em toda minha vida— disse , olhando para ela. A mesa toda ficou em silêncio, olhando uns para os outros. — Ainda bem que gostou! Fiz como uma promessa. — Qual? — Que daqui há dois anos! Eu aceito o seu pedido. Clara desatou a rir-se. Não era de graça. Mas de irritação. — Acabei de oferecer-te uma viagem para Havaí, e você diz que esse foi o melhor presente que já recebeu? Só pode estar de brincadeira comigo— gritou— Você sabe o que está a fazer? Amber tentou segurar nas mãos dela, mas Clara a afastou. — Isso é crime! Você poderia ser preso por isso sabia? Ela é uma empregada. Como pensa em apresentá-la para os teus pais? O que acha que está fazendo? — Chega Clara. Você já passou dos limites. — Foi você quem passou dos limites— gritou— Aposto que ele nem teve a decência de te dizer pois não? Yelissa olhava para ela. Com os olhos marejados. No fundo ela sempre soube que isso iria acontecer. — Ele, já tem noiva. E os pais dele que são podres de ricos, nunca aceitariam alguém como você. Nem que nascesse de novo. O silêncio foi constrangedor. Não por Yelissa, mas pela atitude de Clara. Yelissa abaixou a cabeça e começou a comer. Sua barriga estava roncando e não tinha comido nada desde manhã. Teve que deixar para os mais novos. — E ela ainda consegue comer? — perguntou Amber num murmurinho. — Estou com fome, tive que limpar a casa inteira hoje, e aquela confusão que chamas de quarto— disse enquanto cortava o bife. — Com quem pensas que estás a falar? Perdeu o medo? — Sempre respeito todo mundo. Eu sei que sou faxineira, e não me importo nada de continuar trabalhando para conseguir terminar meus estudos. Por favor, vamos respeitar o momento do senhor Foster. Depois disso, podem continuar fazendo bullying comigo a vontade— olhou para Clara e para Amber que olhavam para ela com incredulidade— tenham um ótimo apetite. Gustavo olhou surpreso para ela. Mas não disse nada. Clara olhou para taça de vinho, e jogou nela antes de sair batendo os pés no chão. O vestido de Yelissa, tanto quanto seu rosto estavam encharcados. Algumas lágrimas escorreram do seu rosto, mas ninguém percebeu. — Sinto muito— disse ele, se sentindo envergonhado. Ao voltar para casa, Yelissa estava com o paletó de Gustavo, e nele o seu cheiro. — Queria que essa noite fosse memorável. Não fazia ideia que aconteceria isso. Peço desculpa. — Eu já sabia o que aconteceria, não sou tão ingênuo quanto pensa— disse. Sorriu e abriu a porta do carro. — Quando vou poder conhecer a sua casa? — Minha tia me mata se vir um carro desse parado na porta. Outra altura. Ele tirou uma sacola da parte de trás do carro. — Isso é para você, já tem o meu número nele, se quiser conversar, a qualquer momento, estou aqui. Ela recebeu o celular novo e sorriu antes de ir. Durante dias, ambos conversavam sempre. Raissa já estava espertinha. — Um jantar… você e eu. — Onde e quando? — Minha casa! Tenho um apartamento não muito longe de onde você mora. Vais adorar a vista. — Está bem— ela sorriu. Noah olhava para ela sorrindo, e se sentia bem por ela estar cuidando dela mesma.






