Capítulo 8
No dia seguinte, durante a reunião de discussão do projeto, todos os representantes das empresas concorrentes estavam presentes, exceto Kayra, que não aparecia.

Enquanto os outros participantes faziam apresentações energéticas e defendiam suas propostas, Vinicius parecia alheio.

Era inegável que, como Kayra havia dito, o plano que ela apresentou era o mais avançado. Nenhuma outra empresa conseguia se equiparar à qualidade e à inovação do projeto do Grupo Nascimento.

Vinicius tamborilou os dedos na mesa, com as sobrancelhas franzidas, e virou a cabeça para perguntar a Bruno:

— O Grupo Nascimento não veio?

Bruno conferiu a lista de presença do dia e respondeu:

— Não. O Grupo Nascimento informou que não participará das reuniões e atividades futuras.

O cenho de Vinicius se contraiu ainda mais.

"Então ela desistiu completamente? Só porque pedi que ela e o filho se desculpassem? Ou será que..." Ele ponderou.

Mais uma vez, aquele pensamento quase absurdo passou pela mente de Vinicius, acompanhado pela lembrança do vídeo da câmera de segurança.

A imagem do menino era apenas uma silhueta vaga, sem detalhes claros do rosto. Tudo o que era visível era seu corpo pequeno e magro. Ele havia sido empurrado ao chão por um garoto muito maior, mas, com teimosia, levantou-se para revidar e se defender.

Após encerrar a reunião, Vinicius, ainda distraído, pediu que preparassem o carro. Ele saiu da Sailor Investimentos com destino ao Grupo Nascimento.

Assim que atravessou as portas do edifício, Melissa desceu de um carro próximo. Com uma leve mancada, ela se aproximou rapidamente e disse:

— Vinicius, você vai sair? Fiz alguns doces com as minhas próprias mãos e trouxe para você.

Melissa estendeu uma caixa de doces cuidadosamente decorada.

Vinicius não pegou a caixa diretamente, apenas fez um gesto para que Bruno a recebesse. Sua expressão estava longe de demonstrar a emoção ou o carinho que Melissa esperava. Pelo contrário, sua voz carregava um tom de leve reprovação:

— Por que você está andando por aí mesmo machucada?

Melissa se forçou a acreditar que a repreensão dele era uma forma de cuidado e carinho.

O motorista estacionou o carro e abriu a porta para Vinicius:

— Sr. Vinicius, para onde o senhor deseja ir?

— Grupo Nascimento. — Respondeu Vinicius, enquanto entrava no carro com suas longas pernas.

Ao ouvir o destino, Melissa esqueceu completamente a dor no tornozelo e rapidamente entrou no carro também:

— Eu estou livre agora... Posso ir com você? Assim, aproveito para aprender um pouco mais.

Vinicius lançou um olhar breve para o tornozelo machucado de Melissa, mas não disse nada para impedi-la. Se ela mesma não se preocupava com a dor, ele não tinha por que se importar.

Kayra estava em seu escritório, concentrada no trabalho, quando Laura bateu na porta e entrou:

— Sra. Kayra, há uma visita para a senhora.

Somente alguém extremamente importante poderia passar pela recepção sem aviso prévio e ser conduzido diretamente ao escritório de Kayra.

Kayra se levantou para receber a visita. Mas, ao ver quem era, a mão que ajeitava o blazer parou no meio do movimento.

Vinicius entrou no escritório com passos lentos. Sua figura imponente exalava a confiança de alguém que parecia estar inspecionando um novo território.

Kayra, no entanto, parecia ter esquecido qualquer desavença daquela manhã. Ela exibiu um sorriso educado e acolhedor:

— Sr. Vinicius, que surpresa. A que devo a honra da sua visita?

— Estou avaliando as empresas parceiras em potencial. Você não vai me receber pessoalmente? — A voz de Vinicius era firme, e seu olhar imponente não dava a Kayra nenhuma margem para recusa.

"Então ele mudou de ideia e quer dar outra oportunidade ao Grupo Nascimento?" Kayra pensou.

Sem demonstrar suas emoções, Kayra fez um gesto convidativo com a mão:

— É uma honra recebê-lo no meu escritório, Sr. Vinicius.

Quando Vinicius se virou para sair, Kayra, com movimentos rápidos, enviou uma mensagem para Laura:

[Houve uma mudança. Continue focando no projeto da Sailor Investimento.]

Kayra sempre foi eficiente no trabalho, então ela levou Vinicius diretamente ao showroom de design. Lá, ela apresentou não apenas os produtos de ponta do Grupo Nascimento, mas também uma série de conceitos de alta tecnologia que ainda estavam em fase de pesquisa e desenvolvimento.

Depois, o grupo seguiu para a sala de monitoramento de produção, onde diversas telas exibiam as linhas de produção de várias fábricas de forma detalhada e em tempo real.

Os olhos de Vinicius eram afiados. Ele levantou a mão e apontou para uma das telas:

— Esse é o estágio de testes práticos dos produtos em desenvolvimento?

Kayra, sem que Vinicius precisasse perguntar, já havia entendido o que ele queria. Com agilidade, ela operou o computador e, em poucos segundos, imprimiu um relatório atualizado em tempo real:

— Sim, este é o monitoramento completo do teste. Qualquer variação mínima nos parâmetros é imediatamente reportada ao sistema de controle central.

Quando entregou o relatório, as unhas de Kayra deixaram um leve vinco na borda do papel.

Vinicius ouvia atentamente a explicação profissional dela, mas seus dedos, quase sem perceber, começaram a deslizar sobre o vinco no papel. À luz oscilante da tela, o perfil de Kayra se destacava com clareza. Suas longas pestanas projetavam sombras suaves sobre os olhos, e por um instante Vinicius se lembrou da noite de seis anos atrás, mais especificamente do modo como os cílios dela tremiam.

Melissa, que seguia cada passo dele de perto, observava tudo com ressentimento. O fluxo natural de interação entre os dois a deixava furiosa. Ela, por outro lado, parecia invisível, dispensável, sem espaço para sequer dizer uma palavra.

Tentando chamar a atenção, Melissa inclinou ligeiramente o corpo, apoiando-se na parede e franzindo as sobrancelhas:

— Vinicius, acho que andei demais. Meu pé está começando a incomodar.

— Se está incomodando, sente-se um pouco. Ou, se preferir, posso pedir para alguém levá-la ao hospital.

A voz de Vinicius era tão calma e neutra que não deixava transparecer nenhuma emoção.

Melissa continuou parada, com os olhos úmidos fixos nele, esperando outra reação. Ele, no entanto, apenas completou:

— O que foi? Quer ir ao hospital?

Melissa mordeu os lábios, que já estavam pálidos, e respondeu com relutância:

— Não, não precisa... Eu vou descansar um pouco ali.

Ela virou-se bruscamente e caminhou para longe, claramente aborrecida.

Kayra, com os braços cruzados, encostou-se à mesa de controle. Seu olhar carregava um misto de diversão e desafio enquanto provocava:

— Sr. Vinicius, não vai atrás dela? Deixar uma garota magoada assim é algo difícil de consertar depois.

A provocação de Kayra fez com que a expressão de Vinicius escurecesse. Ele começou a caminhar em sua direção lentamente, cada passo carregado de uma aura opressora. Quando estava a poucos centímetros dela, ele parou. Sua voz grave, baixa e perigosa soou como um aviso:

— Kayra, não se meta na minha vida pessoal.

O que para Kayra era apenas uma brincadeira, para Vinicius parecia um desrespeito. Mas, se ele era sensível, isso não era problema dela. Em vez de se desculpar, Kayra apenas sorriu com mais intensidade.

— Como sua tiazinha, eu só estou preocupada com os relacionamentos seus. Quando vejo uma garota ao seu lado, é natural que eu faça algumas perguntas.

A referência ao termo "tiazinha" reacendeu a ira de Vinicius. Kayra sabia de tudo o que havia acontecido no passado, e ele tinha quase certeza de que ela fora a responsável por muitos dos acontecimentos daquela época. Agora, ela ainda tinha a audácia de zombar dele, usando o papel de "tia" para provocar.

A raiva contida de Vinicius aumentava a cada segundo. Ele inclinou-se para mais perto, seus olhos fixos nela, e sua respiração pesada quase tocava a lateral do rosto de Kayra:

— Então me deixe perguntar algo em troca, minha querida tiazinha. Você não engravidou naquela noite, não foi?

Kayra piscou, como se não tivesse entendido de imediato. Em seguida, ela soltou uma risada leve. Havia um tom de frieza e algo próximo a pena em seus olhos:

— Sempre admirei sua confiança, Sr. Vinicius. Mas agora você está se rebaixando um pouco. O que foi? Está procurando um herdeiro ilegítimo para assumir sua fortuna?

Ela se inclinou levemente para frente, ajustando com delicadeza a gravata dele. Assim que terminou de falar, ergueu os olhos vagarosamente para encará-lo.

Os olhos de Kayra estavam calmos, como um dia ensolarado de abril, sem nenhuma onda ou vento. Era impossível decifrar suas intenções. Esse mistério irritante fez os olhos de Vinicius ficarem ainda mais sombrios, quase predatórios.

Vinicius deu mais um passo à frente, inclinando-se de maneira quase avassaladora, como se quisesse envolver o corpo pequeno de Kayra com sua presença. Era uma proximidade carregada de tensão e algo mais profundo, quase íntimo.

Ele aproximou os lábios do ouvido dela e, com um tom baixo e magnético, sussurrou:

— Por tudo o que fiz naquela noite, você poderia ao menos me dizer a verdade: de quem é o seu filho?

Kayra o olhou com serenidade, sem se abalar:

— Está brincando? Claro que é filho do meu marido. Do seu tio, do Dario.

A resposta dela parecia cheia de verdade, mas era como se cada palavra fosse uma faca cravada em Vinicius. Ele explodiu:

— Mentira!

Vinicius a encarou com os olhos ardendo de fúria:

— Dario era estéril! Por isso você se arriscou e me escolheu. Foi assim que você conseguiu esse filho, não foi?

As palavras dele trouxeram à mente de Kayra a imagem daquela noite, os olhos dele ardendo de humilhação e ódio. Ela havia subestimado o impacto daquela experiência em Vinicius. Ele claramente havia investigado o passado e estava obcecado com a ideia de que o filho dela era seu.

Kayra sabia que precisava cortar essa linha de pensamento pela raiz. Ela manteve a calma, sorriu suavemente e respondeu com sarcasmo:

— Dario tinha problemas de saúde, mas nós fizemos fertilização in vitro. Foi assim que tivemos nosso filho. Quanto a você... bem, você parece não ser tão eficiente quanto pensa.

Antes que a frase pudesse terminar, a mão de Vinicius já havia agarrado com força o pescoço de Kayra. Seus olhos ardiam com uma ira que ele não conseguia mais conter.
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