Mundo de ficçãoIniciar sessãoEvelyn
O silêncio de Hagen me destruiu mais do que qualquer insulto que seus pais haviam dito naquela tarde. Porque Melissa Von Strauss me odiava. Otto Von Strauss me desprezava. Mas Hagen... Hagen era o homem que eu amava. E ele não respondeu. Meu peito doía. Doía tanto que eu mal conseguia respirar. — Entendi. Minha voz saiu quase como um sussurro. — Evelyn... Balancei a cabeça. Eu não queria ouvir desculpas. Não queria ouvir justificativas. Queria apenas uma resposta. Uma simples resposta. Ele me amava? Sim ou não? Era tão difícil assim? — Foi minha mãe, não foi? — perguntou ele. Soltei uma risada amarga. — Você acha mesmo que eu preciso da sua mãe para perceber certas coisas? O rosto dele endureceu. — O que isso significa? As lágrimas queimavam meus olhos. — Significa que eu vejo as coisas, Hagen. — Você está exagerando. — Estou? Cruzei os braços. Tentando impedir que minhas mãos tremessem. — Quantas vezes você me levou para um jantar de negócios? Ele permaneceu em silêncio. — Quantas vezes me apresentou oficialmente como sua namorada? Silêncio. — Quantas vezes me levou para conhecer seus amigos? Apenas Marcus. Sempre Marcus. Ninguém mais. — Eu sabia. Ele passou a mão pelos cabelos. Visivelmente frustrado. — As coisas não são tão simples. — Não? Minha voz falhou. — Porque para mim parecem muito simples. Ele me encarou. — Evelyn... — Você me ama quando estamos sozinhos. Os olhos dele se arregalaram. — Mas quando o resto do mundo aparece... Minha garganta apertou. — Eu desapareço. Aquilo o atingiu. Eu vi. Mas já era tarde demais. Porque todas as inseguranças que eu vinha guardando finalmente estavam saindo. — Eu não tenho o sobrenome certo. — Não faça isso. — Não tenho o dinheiro certo. — Pare. — Não tenho os amigos certos. — Evelyn... — E aparentemente nem a educação certa. As palavras de Melissa ainda ecoavam dentro de mim. Como veneno. Como uma ferida aberta. Hagen se aproximou. — Não escute minha mãe. Uma lágrima escorreu. — Como não? Minha voz quebrou. — Ela olhou para minha barriga e disse que nunca o reconheceria como neto. A expressão dele mudou. Raiva. Uma raiva verdadeira. — Ela disse isso? Assenti. — Disse que o sangue dos Von Strauss não deveria se misturar com pessoas como eu. O maxilar dele travou. Pela primeira vez naquela noite, vi sua fúria. — Ela não tinha direito. — Mas disse. Outra lágrima caiu. — E sabe o pior? Ele permaneceu em silêncio. — Uma parte de mim acredita que ela pensa exatamente o que você pensa. — O quê? — Que eu não pertenço ao seu mundo. Os olhos dele encontraram os meus. — Nunca pensei isso. — Então por que me esconde? A pergunta ficou entre nós. Pesada. Dolorosa. E mais uma vez... Ele não respondeu. Meu coração se partiu. Porque às vezes a ausência de palavras é a resposta mais cruel de todas. Fechei os olhos por um instante. Tentando reunir forças. — Eu amo você, Hagen. Minha voz saiu baixa. Quase quebrada. — Mais do que deveria. Quando abri os olhos novamente, ele ainda estava me olhando. Confuso. Dividido. Como um homem lutando contra algo dentro de si. — Mas eu não quero ser a mulher da qual você sente obrigação. As lágrimas escorriam livremente agora. — Não quero ser a mãe do seu filho. Engoli o nó na garganta. — Quero ser a mulher que você escolhe. O silêncio voltou. E naquele momento... Pela terceira vez naquele dia... Hagen Von Strauss não soube o que dizer.






