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Capítulo 5 — Você Tem Vergonha de Mim?

Hagen

Depois da conversa com Marcus, voltei para minha cobertura no centro de Manhattan.

Já passava da meia-noite.

O elevador se abriu diretamente na sala e, como sempre, encontrei Evelyn me esperando.

Ela estava adormecida no sofá.

Os pés encolhidos sob uma manta.

Uma das mãos repousava sobre a barriga.

E era sempre assim.

Não importava se eu chegasse às oito da noite ou às duas da manhã.

Ela me esperava.

Sempre.

Linda.

Sempre linda.

Sorri sozinho.

Aproximei-me e me ajoelhei ao lado do sofá.

— Acorda, princesa.

Ela se mexeu devagar.

— Hum...

— Desse jeito você vai acordar toda dolorida amanhã.

Seus olhos se abriram lentamente.

Olhos âmbar.

Os mesmos olhos que tinham virado meu mundo de cabeça para baixo.

Então ela sorriu.

E aquele sorriso ainda tinha o poder de acabar comigo.

— Acho que peguei no sono te esperando.

Passei uma mecha de cabelo para trás da orelha dela.

— Eu percebi.

Ela sentou-se devagar.

— Você demorou.

— Encontrei Marcus no clube.

— E ficaram conversando?

— Sim.

Ela assentiu.

Mas havia algo estranho em seu olhar.

Algo diferente.

Aquele brilho alegre que normalmente estava ali parecia apagado.

— Aconteceu alguma coisa?

Ela baixou os olhos.

Por alguns segundos ficou em silêncio.

Então respirou fundo.

— Hagen...

— Sim?

Ela apertou as mãos sobre o colo.

Nervosa.

— Você tem vergonha de mim?

A pergunta me pegou completamente desprevenido.

— O quê?

Ela levantou os olhos.

E vi insegurança ali.

Uma insegurança que eu nunca tinha visto antes.

— Você tem vergonha de mim?

Franzi a testa.

— Claro que não.

— Tem certeza?

— Evelyn...

— Responde.

Seu tom era suave.

Mas carregado de dor.

Meu peito apertou.

— Por que está perguntando isso?

Ela desviou o olhar.

— Porque às vezes parece que você esconde nossa relação.

Aquelas palavras me atingiram mais do que eu gostaria.

— Isso não é verdade.

— Não?

Ela deu um sorriso triste.

— Quantos dos seus amigos sabem que estamos juntos?

Não respondi imediatamente.

E isso já era uma resposta.

— Está vendo?

— Não é isso.

— Então o que é?

Levantei-me e caminhei até a janela.

De repente, aquela conversa estava ficando parecida demais com a que eu tinha acabado de ter com Marcus.

— Você está pensando demais.

— Estou?

Ela se levantou também.

— Você me leva para jantares de negócios?

Silêncio.

— Para eventos da empresa?

Silêncio.

— Para encontros com seus investidores?

Continuei sem responder.

O silêncio entre nós ficou pesado.

Ela respirou fundo.

— Você me ama?

Virei-me imediatamente.

— Claro que amo.

Mas, pela primeira vez, as palavras não saíram tão facilmente quanto deveriam.

Evelyn percebeu.

Eu vi quando ela percebeu.

Porque seus olhos se encheram de lágrimas.

— Ou está se casando comigo por causa do bebê?

Meu coração afundou.

— Quem colocou isso na sua cabeça?

Ela sorriu sem humor.

— Ninguém precisou colocar.

A resposta me surpreendeu.

— Evelyn...

— Eu sempre disse que você não precisava se casar comigo.

Ela acariciou a barriga.

— Nunca quis que se sentisse obrigado.

A dor em sua voz era quase física.

— Eu não estou me sentindo obrigado.

— Tem certeza?

A pergunta ficou suspensa entre nós.

Porque, de repente, eu me lembrei de Marcus.

Lembrei das palavras do meu pai.

Da pergunta que ninguém parava de fazer.

Você ama Evelyn?

Eu deveria responder sem hesitar.

Mas por algum motivo...

Não consegui.

E o silêncio que veio depois foi muito mais doloroso do que qualquer resposta.

Os olhos de Evelyn brilharam de tristeza.

E naquele momento, pela primeira vez, tive a sensação de que ela já esperava por aquele silêncio.

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