Capítulo 5

Alice ergueu os olhos e viu o desprezo e o nojo estampado no rosto de Jéssica. De repente, ela soltou uma risada curta e sentou-se de forma desleixada no sofá, sem se mover um centímetro.

Jéssica entrou em pânico. Franziu a testa, correu até ela, agarrou seu armo e tentou puxá-la à força.

"O que você está fazendo?!", gritou Alice, como se tivesse levado um susto terrível.

O barulho alto irritou o tio Carlos, que se virou para os empregados e repreendeu com raiva: "Vocês estão todos esperando para assistir ao espetáculo? Tirem-na daqui agora!"

"Vão!", deu a ordem Carlos, e os servos não tiveram escolha a não ser obedecer, arrastando apressadamente Alice para fora da mansão.

"Ai, isso dói! Dói muito!" Alice elevou deliberadamente a voz, gritando alto como se estivesse sofrendo uma injustiça cruel.

Em pouco tempo, o escândalo atraiu os vizinhos do condomínio de luxo.

Ótimo, o palco está montado, pensou ela. Alice fez uma expressão de desespero. "Tio e tia, já lhes dei toda a minha herança. Só quero esta casa como lembrança dos meus pais. Por favor, devolvam-na para mim! Eu imploro, já entreguei todo o dinheiro. Se vocês me expulsarem, para onde eu vou?"

Os vizinhos começaram a juntar as peças do quebra-cabeça.

"Não é aquela a Alice, a órfã que estava doente há anos?"

"Ela acordou? A família do tio ficou rica de repente, mas parece que foi tudo golpe."

"Eles nem são os pais dela e não têm consciência. Pegaram o dinheiro da herança e agora querem roubar a casa também."

"Exatamente. Expulsar uma garota fragilizada assim... que lamentável."

A multidão começou a simpatizar com Alice. Ao ouvirem os cochichos, Helena e Carlos franziram a testa. Jéssica, impaciente, apontou para os vizinhos com um olhar feroz: "Que bobagem vocês estão falando? Cuidem de suas vidas!"

Ela queria avançar para discutir, mas Helena a impediu. Alice observou a tia se aproximar lentamente, vestindo uma máscara de compaixão.

"Alice, querida... seus três anos no hospital consumiram todo o dinheiro que seus pais deixaram. Seu tio gastou fortunas do próprio bolso para te manter viva. Agora que você finalmente está curada, sinto pena dos seus pais ao ver seu comportamento rebelde e ingrato."

Os olhos de Helena brilharam com lágrimas falsas. "Para o seu próprio bem, não tenho outra escolha senão ser firme e expulsá-la para que você aprenda a ganhar a vida. Sinto muito."

Ela fez um sinal para os servos, que empurraram Alice "sem piedade" para fora do portão. Alice, que ainda estava magra e frágil, caiu no chão. Quando ela estava prestes a se levantar para continuar o teatro, uma voz infantil e cristalina soou de repente.

"Mamãe!"

Alice se assustou. Mamãe? Ela virou-se abruptamente e viu três crianças passando correndo com passinhos curtos e saltitantes. Num instante, ela estava cercada pelos pequenos.

Ela ficou atônita; as palavras do médico no hospital ecoavam em sua mente: "Em outras palavras, você já tem dois filhos e uma filha neste mundo."

Aquelas três crianças de aparência angelical eram dela?

"Mamãe, você está bem?" Theo, adorável em seu macacão, olhou para ela com pena. A Irmãzinha Mariana, em seu vestido de princesa e com os olhos cheios de lágrimas, aproximou-se: "Mamãe, dói? Vou soprar o dodói e não vai doer mais."

Isso é realmente... fofo demais!, pensou Alice, desarmada.

"Crianças, vocês são..." Alice ia perguntar quando sentiu uma mãozinha gordinha cobrir sua boca.

Era Noah. Seu rosto infantil emanava uma aura arrepiante de autoridade, e seus grandes olhos brilhavam com inteligência. "Mamãe, como seu filho , é meu dever proteger você e meus irmãos. Deixe essas pessoas que te maltrataram comigo."

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