A mansão parecia diferente naquela manhã. Não era exatamente silêncio — era uma quietude pesada, densa, que se acumulava entre as paredes e deixava o ar mais lento. Elena sentiu isso assim que abriu os olhos. Não era apenas o eco da discussão da noite anterior que ainda reverberava; era algo maior, mais profundo. Um aviso silencioso de que nada ali estava realmente resolvido.
Ela arrumou-se com cuidado, tentando transmitir ordem ao próprio corpo, mesmo sem tê-la por dentro. Ao se olhar no espelho, viu um leve desgaste nos olhos — não de cansaço físico, mas emocional. Dominic tinha o poder de desmontá-la sem levantar a voz, e isso a incomodava mais do que admitia.
Quando desceu, encontrou Isabella no hall, analisando anotações numa prancheta com o ar de quem observava o mundo inteiro como se fosse um relatório. Assim que percebeu Elena, ergueu o olhar — e havia ali uma mistura de frieza e satisfação disfarçada.
— Bom dia — Elena disse.
— Bom dia — Isabella respondeu, com um sorriso art