A porta mal encostou e o carro já estava em movimento. O tranco veio seco, o cinto puxando no peito, a casa ficando pra trás rápido demais — como se ficar mais um segundo ali fosse um erro que ninguém podia cometer. Ninguém se despediu, ninguém olhou pra trás. A gente só saiu.
E o silêncio que veio não era vazio. Era pesado. Cheio. Como se tudo que tinha acontecido naquela mesa tivesse entrado no carro com a gente e agora estivesse ali, entre os bancos, ocupando espaço demais pra ser ignorado.