O ar ao meu redor estalava como se pequenas faíscas invisíveis ainda estivessem dançando na ponta dos meus dedos. O peito subia e descia em lufadas rápidas, e o calor que antes inundava minhas veias recuava devagar, deixando uma sensação estranha de formigamento e vazio na palma da minha mão direita. Eu olhei para baixo, atônita, incapaz de acreditar no que eu acabava de fazer. Abaixo de nós, na neve suja e pisoteada, o silêncio era absoluto. Caleb Blackwood continuava de joelhos. A espada pesada que ele segurava havia escapado dos dedos e jazia na neve escura a poucos centímetros dele. O homem que, há poucas horas, ria cinicamente no altar enquanto me humilhava diante de toda a alcateia, agora tinha o rosto pálido, os olhos injetados de sangue e o corpo inteiro tomado por um tremor incontrolável. Ele olhava para mim com uma mistura de pavor e incompreensão, como se visse um fantasma que não deveria existir. — O... o que foi isso? — a voz de Caleb saiu arranhada, fraca, qua
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