Yasmin Eu saio do banheiro ainda com a sensação de que o ar não entra direito nos pulmões. Tiro o pijama sem pressa, sem realmente prestar atenção no que estou fazendo. O aperto no peito não diminui, só muda de lugar, como se procurasse um ponto novo para incomodar. Passo a mão pelo cabelo, tentando organizar não só os fios, mas os pensamentos, e encosto a porta atrás de mim lentamente.Eu sei que não posso continuar assim, não dá mais. Ficar aqui, vivendo à custa dos meus pais, ocupando um espaço que abandonei por escolha, me corrói de um jeito que não consigo mais ignorar.A vergonha é constante, silenciosa, mas sempre presente. Eles me acolheram quando eu não tinha mais nada, quando eu mesma me destruí, e, ainda assim, sinto como se estivesse devendo algo impossível de pagar.Meu olhar cai sobre a cômoda, nos porta-retratos, e travo por um segundo. Na primeira foto, Mila ainda é uma criança, com o sorriso largo e despreocupado, enquanto eu, mais velha, estou ao lado dela com u
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