8. O Noivo De Máscara
Clara não olhou para trás quando entrou na carruagem de Monteluz.Se Joaquim permaneceu à porta, se chorou, se tentou dar um passo em sua direção quando Beatriz a ajudou a subir, ela não soube. Não queria saber. Havia uma crueldade necessária em manter os olhos fixos à frente, na rua estreita, nos cavalos bem escovados, no brasão dos Valença gravado em dourado na lateral da carruagem, porque qualquer movimento de retorno poderia ser confundido com despedida, e Clara não queria se despedir de uma casa que, na véspera, descobrira não ter sido abrigo, mas apenas o primeiro quarto de uma prisão mais longa.Beatriz sentou-se de frente para ela, ereta como se a carruagem não balançasse sobre as pedras irregulares. A governanta usava o mesmo vestido preto do dia anterior, fechado até o pescoço, sem qualquer ornamento além de um broche antigo preso junto à gola. Seu rosto, severo e magro, não demonstrava curiosidade nem pena, e Clara ficou grata por isso. Pena, naquele momento, teria sido p
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