Nyana apoiou a mão na borda da pia por um instante, respirando lentamente, tentando compreender o próprio corpo que ainda parecia estranho a ela. A luz branca do banheiro era suave, mas feria-lhe os olhos como se fosse intensa demais.Ela ligou o chuveiro. O som da água encheu o espaço imediatamente — quente, contínuo, constante —, um véu perfeito para tudo o que pudesse acontecer ali dentro.Não entrou de imediato. Permaneceu parada, olhando para as próprias mãos por alguns segundos, como se não reconhecesse mais o leve tremor que percorria o dedo mínimo, o pulso, o antebraço. A adrenalina, enfim, começava a se retirar.Com ela, ia embora também tudo o que a mantinha presa ao modo de sobrevivência, ao simples “funcionar”.Tirou a roupa com gestos automáticos, quase distantes, como se observasse outra pessoa realizá-los, e prendeu o cabelo de qualquer jeito. Depois entrou na banheira e sentou-se com cuidado, respirando como se o ar tivesse peso e densidade.A água quente começou a cai
Ler mais