Desde que encontrei aquela caixa no escritório do meu pai, eu não conseguia mais parar de pensar nela.Todas as noites, antes de dormir, eu a colocava sobre a cama.Passava os dedos pela madeira escura.Observava as iniciais gravadas na tampa.B.A.Bernardo Almeida.Meu pai.Era como se uma parte dele ainda estivesse ali, tentando me dizer alguma coisa.Eu apenas não conseguia entender o quê.Tentei mais uma vez abrir a fechadura.Nada.Suspirei.— Você é tão teimoso quanto era em vida, não é, pai?Sorri sozinha.Depois guardei novamente a caixa no fundo do guarda-roupa, atrás de algumas roupas e de uma mala antiga.Se alguém entrasse no meu quarto, dificilmente a encontraria.Ou pelo menos era o que eu imaginava.Naquela mesma tarde, bem longe da mansão, Paola entrou em um restaurante discreto, onde costumava encontrar Ricardo.Escolheu uma mesa nos fundos.Poucos minutos depois, ele chegou.Sentou-se sem sequer cumprimentá-la.Bastou olhar para seu rosto para perceber que alguma coi
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