A manhã começou silenciosa, mas Antônio já estava na estrada antes mesmo de o sol nascer completamente. Sobre o banco do passageiro repousava uma pasta de couro gasta pelo tempo. Dentro dela estavam todas as anotações feitas desde a morte de Bernardo. Datas. Nomes. Conversas. Pequenos detalhes que, separados, pareciam insignificantes. Mas que, juntos, formavam um quebra-cabeça cada vez mais assustador. Enquanto dirigia, Antônio lembrava da última conversa que tivera com o amigo. A expressão séria de Bernardo. O aperto firme de sua mão. E aquelas palavras que nunca mais saíram de sua memória. — Se alguma coisa acontecer comigo... cuide da Laura. Na época, ele acreditou que Bernardo apenas estivesse sendo cauteloso. Agora tinha certeza de que aquilo havia sido um aviso. Seu destino era uma pequena propriedade afastada da cidade. Ali morava Elias, um antigo segurança de Bernardo. Durante quase quinze anos, Elias acompanhara Bernardo em viagens, reuniões e negociações im
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