Desde que encontrei aquela caixa no escritório do meu pai, eu não conseguia mais parar de pensar nela.
Todas as noites, antes de dormir, eu a colocava sobre a cama.
Passava os dedos pela madeira escura.
Observava as iniciais gravadas na tampa.
B.A.
Bernardo Almeida.
Meu pai.
Era como se uma parte dele ainda estivesse ali, tentando me dizer alguma coisa.
Eu apenas não conseguia entender o quê.
Tentei mais uma vez abrir a fechadura.
Nada.
Suspirei.
— Você é tão teimoso quanto era em vida, não é,