Trezentos e cinquenta anos depoisO mar era o único que ainda lembrava de tudo.A casa branca havia desaparecido há muito tempo, engolida pelas ondas, pelas tempestades e pelo inexorável avanço do tempo. Não restava nenhuma pedra, nenhuma parede, nenhuma placa. Apenas uma praia selvagem, vento constante e o som eterno das ondas que pareciam guardar, em seu ritmo, a memória de uma mulher que um dia se recusou a ser silenciada.Luna Ferrera, de trinta e cinco anos, caminhava descalça pela orla ao entardecer. Era historiadora e oceanógrafa, e havia dedicado grande parte de sua vida a estudar o legado de Valeria Ferrera. Não levava o nome da tataravó —sua família havia decidido, há gerações, que o legado não precisava de nomes repetidos para viver—, mas carregava a história no sangue, na memória e no coração.Parou em um ponto que seu instinto lhe dizia ser o lugar exato. Não havia nenhuma marca, nenhuma placa, nenhum monumento. O mar havia apagado tudo. Mas ela sentia. Ali, trezentos e c
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