Duzentos anos depoisA casa branca de frente para o mar já não era apenas uma casa. Era um símbolo. Um santuário. Um farol de esperança para milhões de mulheres em todo o mundo. O que havia começado como uma história pessoal de dor e sobrevivência se transformara em um movimento global: a Fundação Valeria Ferrera operava em mais de cinquenta países, oferecendo refúgio, educação, terapia e voz a quem mais precisava.Valeria XV, de vinte e oito anos, era a atual guardiã do legado. Tinha o cabelo escuro ondulado, os mesmos olhos intensos que haviam sido passados de geração em geração, e uma determinação que parecia gravada no ADN familiar. Trabalhava como advogada de direitos humanos e voltava à casa apenas algumas vezes por ano para manter viva a chama.Naquela manhã de primavera, Valeria XV estava na varanda, olhando o mar com uma xícara de chá nas mãos. Sua filha de quatro anos, Elena, corria pela areia perseguindo gaivotas, rindo com uma alegria pura que Valeria guardava como o maior
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