A água fria da tempestade escorria pelos nossos rostos, mas o beijo de Victor era puro fogo, um contraste violento que anestesiou o meu pânico por alguns segundos. A boca dele se movia contra a minha com uma urgência quase dolorosa, como se ele estivesse tentando, através daquele toque, arrancar à força as palavras venenosas que Helen havia plantado na minha mente. Minhas mãos continuavam cravadas no tecido encharcado de sua camisa, os dedos tensos, enquanto meu corpo respondia àquela gravidade magnética por puro instinto de sobrevivência.Quando ele finalmente afastou os lábios, a milímetros dos meus, sua respiração veio rápida e quente contra a minha pele. Ele colou a testa na minha, mantendo as mãos firmes na minha cintura, como se temesse que, se me soltasse, eu evaporaria no meio do temporal.Eu estava completamente perdida. Olhei para aqueles olhos mel, agora escuros e dilatados, e senti o peito arder. A chuva continuava a nos castigar, limpando o rastro das minhas lágrimas, mas
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