CAP. 41 — PORTAS E SOMBRAS
POV RIANE O estrondo cavernoso da terra ainda vibrava na sola da minha bota. A fronteira amaldiçoada do Rio Negro, que por gerações negou a passagem de qualquer intruso, cedeu. O mato fechado não foi cortado pelo facão; ele encolheu. As raízes grossas e espinhosas rastejaram para a lateral, abrindo um caminho de barro escuro que parecia nos convidar para o interior do Fundo. Dei o primeiro passo. O chão parecia esperar por mim. Caruã cruzou a linha logo atrás, o coturno pesado dele cravando na terra com a cautela de quem entra numa armadilha armada. — Se isso for uma armadilha e a gente morrer antes do jantar, eu vou te assombrar pelo resto da existência, Caruã — disparei, tentando quebrar o silêncio pesado que caiu sobre nós assim que cruzamos o limite. O Alfa soltou uma risada curta, seca, que morreu logo que alcançou o ar parado. — Você fala demais, Riane. Se a gente morrer, você não vai ter fôlego nem pra sussurrar, muito menos pra assombrar alguém. — Isso é um desafio? Porqu
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